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Tudo, a pouco e pouco, se vai tornando mais apertado, vigiado e regulamentado: a liberdade, a linguagem, o pensamento. Cada semana nos traz novos exemplos, cada um apimentado com uma certa cor local, mas todos eles convergindo num ponto único: o de uma censura generalizada que visa interditar a liberdade do discurso em nome da necessidade de proteger a célebre “auto-estima” quer de certos grupos étnicos, quer da subjectividade individual erigida em lugar de permanente queixa contra a indiferença alheia e a incompreensão do mundo. Desenganem-se aqueles que pensam que tudo isto não passa de uma conjuntural e provisória loucura destinada a desvanecer-se sob o efeito de um sopro de bom-senso vindo de um qualquer lugar, ou auto-destruindo-se como resultado dos seus próprios exageros. Não. Foi algo que veio para ficar e que apresenta todos os sinais de uma tendência poderosa e praticamente incontrolável que varre tudo à sua frente. Não pretendo que seja impossível encontrar pequenos lugares de resistência a essa tendência generalizada, mas estou certo que eles se pagarão com um cada vez maior isolamento e com uma indisfarçável solidão.

Os Estados Unidos estão, como de costume, na vanguarda das ideias e é o seu exemplo que inspira o que se passa hoje em dia em Inglaterra e por essa Europa fora. A França, por exemplo, distingue-se do resto apenas pela forma particularmente virulenta como o chamado “islamo-esquerdismo” aí se manifesta. Mas, no essencial, é a mesma coisa. E quem fala da Inglaterra e da França, fala da Europa democrática inteira, inclusive do nosso pequeno Portugal, onde os elementos mais arcaicos do Bloco de Esquerda – aqueles que vêm das várias formas da herança política do marxismo – paradoxalmente funcionam ainda como obstáculo ao pleno desenvolvimento da nova ideologia woke, apesar do Bloco a exprimir abundantemente, ao ponto de isso se ter transformado na sua imagem de marca.

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