À primeira vista, os diretos humanos não é uma comparação de sofrimento. A questão exige respeito, exige tolerância e empatia por todos os que sofrem represálias ou qualquer outra forma de repressão infligida por um estado seja ele qual for e que ideologia política tem em vigor.

Se à primeira vista é assim, ou deveria ser assim, o Bloco, há direitos humanos que se devem selecionar e pôr numa grelha de importância.
Os princípios básicos que norteiam os Direitos Humanos, não se podem sobrepor às questões internacionais e a nenhuma outra.
Não há Direitos Humanos de primeira e Direitos Humanos de segunda.

Um povo que sofre represálias, seja por via de tortura ou mesmo no limite a sua execução, não são menos nem mais que outros que de igual forma sofrem essas mesmas represálias independentemente do Estado e do seu regime político.
Isso seria o equivalente a perguntar: se um branco escraviza um negro o direito humano desse negro estará a ser violado ?
Obviamente que sim. E se um negro escravizar um branco? Esse Direito é menos relevante?
Portanto, o Direito Humano é um princípio, é um valor maior que não tem ideologia política, não tem credo nem raça.
Não há pois, direitos humanos só para uns. Há para todos. E esta é a base que deveria ser respeitada.

O caso de Gaza, que mobilizou muitos dos nossos agentes políticos e até uma grande parte do seu eleitorado e outras figuras de relevo, veio elucidar-nos sobre a importância do tema e a sua posição política, aliás, os Direitos Humanos não é uma questão política e sobre ele não existe qualquer interesse político mas sim um valor maior, o da vida humana e da dignidade.

Em janeiro de 2026 o Parlamento Europeu leva a votação uma resolução a fim de condenar a repressão do regime iraniano à sua população, denunciando detenções arbitrárias, execuções e repressão violenta de protestos civis.

A resolução foi aprovada por 562 votos a favor, 9 contra e 57 abstenções. Os eurodeputados referem estar alarmados pelo facto de o assassinato de milhares de manifestantes constituir uma “mudança desanimadora na política de opressão do regime iraniano”, que passou da “dissuasão para a eliminação estratégica” dos dissidentes. Os eurodeputados pedem a libertação imediata e incondicional de todos os manifestantes, defensores dos direitos humanos e jornalistas atualmente detidos.
E tudo começa aqui.

A eurodeputada do Bloco Catarina Martins optou pela abstenção. Ou seja, considerou que, os Direitos Humanos no Irão, terão outro significado. Não há volta a dar a sua posição e não haverá quadro outra interpretação a fazer. Não pode haver: Talvez a questão no Irão os Direitos Humanos sejam de segunda como se pudesse existir uma catalogação de crimes contras as pessoas.

Qual é a diferença entre os crimes praticados em Gaza e no Irão? Nenhum e todos sabem disso.
O Bloco e os apoiantes da causa Palestina fecham os olhos a tudo isto e assobiam todos para o lado. Todos , todos, todos.
Esta hipocrisia é gritante e vergonhosa, mas diz-nos muito sobre o Bloco e a sua política.

Se é assim que se vê a causa do Direitos Humanos, então parece claro que quando se enche a boca e os pulmões de ar para vir a público ou embarcar em flotilhas na defesa de seres humanos que são ofendidos nos seus Direitos pelo seu próprio Estado de forma totalmente criminosa, tudo isto não passa de uma hipocrisia sem limites digna de condenação popular. E o certo é que o Bloco é vítima dele mesmo quando tende a desaparecer do panorama político logo não se pode permitir qualquer tipo de queixume.