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O anúncio da convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL), em 25 e 26 de Maio, desencadeou um tal coro de reacções adversas que uma pessoa que não conhecesse o que a esquerda portuguesa consome até se arriscaria a ficar surpreendida. Eu quase que fiquei, por uns instantes, até me dar conta dos membros do esplêndido coro reactivo e dos motivos sortidos que os inspiram. Depois, fez-se-me luz. É uma casa portuguesa, com certeza, com muito delírio à mesa, para animar o conforto pobrezinho do lar.

Nesta velhíssima casa portuguesa, que todos nós conhecemos muito bem, tenhamo-la ou não frequentado, tudo o que mexa à direita é visto como perfeitamente suspeito. Sempre foi assim e, arrisco-me a dizer, sempre assim será. O pão e o vinho que na humilde casinha são servidos têm certamente propriedades alucinatórias que ajudam à alegria da pobreza. Daí a ver sinistras conspirações quando um grupo relativamente vasto e variado de pessoas se reúne para discutir Portugal vai só um pequeno passo. Mas um pequeno passo de grandes consequências, já que o que venenosamente espreita por detrás da conspiração, fica-se a saber, não é nada mais nada menos do que a ameaça de um iminente retorno do fascismo. Do verdadeiro, daquele que é uma esfusiante e radiosa beleza matar. Atenção, dizem-nos, que não é nada contra a direita, que tem todo o direito de existir, mas esta direita não é a nossa, que é a verdadeira. É um bocado como o velhote do Astérix que dizia que não tinha nada contra os estrangeiros, a não ser contra aqueles que não eram da terra dele.

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