Acto I

O momento redentor da semana foi a fotografia, ampla e merecidamente divulgada, de um conjunto de deputadas caseiras em protesto. Dado que o protesto de parlamentares de partidos que ou estão no governo ou influenciam o governo não faz muito sentido, as deputadas resolveram protestar contra os acontecimentos internos de um país estrangeiro. No caso, o Brasil. O facto de isso fazer ainda menos sentido não perturbou as senhoras, que interromperam o expediente para posar para o boneco com slogans a recusar a candidatura de um sujeito às presidenciais de lá, ao que sei legalíssima. Ou seja, enquanto as autoridades brasileiras aceitam o sujeito, dúzia e meia de ociosas portuguesas não pactuam com tamanho escândalo e desabafam através de “hashtags” (uns gatafunhos precedidos por um “#”). Ignoro se, de agora em diante, as ociosas tencionam emitir sentenças acerca de todas as eleições a realizar no planeta. Se tencionarem, avisem que tem piada.

Aliás, tem imensa piada. A fotografia, a que vale a pena regressar e que vale a pena contemplar, é um mimo. Dentro de São Bento, presume-se, algumas deputadas exibem o rosto fechado (porque a hora é grave). Outras riem desalmadamente (porque a gravidade é descontraída). Algumas levantam cartazes. Outras não tiveram direito a cópia. Quase todas parecem vestidas pelo costureiro dos UHF. Todas parecem estar ali de livre vontade. E eu agradeço-lhes a coragem.

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