Logo Observador
Venezuela

ONU. Reprimir vozes dissentes não vai resolver tumultos nas ruas da Venezuela

O alto-comissário da ONU para os direitos humanos disse que a ação do Governo da Venezuela "de reprimir as vozes dissentes não vai resolver os tumultos" nas ruas ou as razões dos protestos.

MIGUEL GUTIERREZ/EPA

Autor
  • Agência Lusa
Mais sobre

O alto-comissário da ONU para os direitos humanos disse nesta segunda-feira que a ação do Governo da Venezuela “de reprimir as vozes dissentes não vai resolver os tumultos” nas ruas ou as razões dos protestos. Zeid Ra’ad Al Hussein considerou que os elementos mais alarmantes na Venezuela são o aumento da violência, as ações dos grupos armadas pró-Governo e a falta generalizada de confiança no Governo e no poder judicial.

“As ameaças de se dissociar da Organização dos Estados Americanos (OEA) não são uma estratégia para restaurar a estabilidade da paz”, disse o alto-comissário das Nações Unidas, numa conferência de imprensa de análise das situações mais preocupantes em relação aos direitos humanos no mundo.

Este organismo das Nações Unidas não tem qualquer acesso à Venezuela, apesar de ter pedido repetidamente ao Governo para emitir vistos que permitam aos peritos da ONU avaliar a situação dos direitos humanos no país. Os protestos na Venezuela duram há um mês e já provocaram 29 mortos, 500 feridos e centenas de detidos.

No encontro com os jornalistas, o alto-comissário da ONU disse, também, que têm aumentado os ataques contra ativistas dos direitos humanos no Brasil, especialmente aqueles que lutam pelas terras e seus recursos. “O Governo deve fazer mais para combater a impunidade que parece existir de crimes violentos contra aqueles que defendem os direitos humanos”, sublinhou Zeid, afirmando que o caso mais alarmante no Brasil foi o assassinato, a 20 de abril, no estado de Mato Grosso, de nove membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

Apesar de não existirem dados oficiais, o mesmo responsável avançou que o seu escritório recebeu indicações de que morreram 61 ativistas no Brasil em 2016. Sobre a Colômbia, o alto-comissário referiu que, pelo menos, 41 ativistas foram mortos este ano, significando um agravamento em relação ao mesmo período do ano passado e a anos anteriores, Para o chefe dos direitos humanos na ONU, esta situação “é muito alarmante”.

Sobre o acordo de paz entre o Governo colombiano e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), afirmou que “o processo está a avançar, embora lentamente”. Zeid considerou, ainda, que “podem ser prejudicados os enormes esforços colocados neste processo de paz, caso continue a tendência de assassinato de defensores dos direitos humanos”. Nesse sentido, pediu aos colombianos para que “permaneçam vigilantes”.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt