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Cinema

Documentário português vence competição de curtas do Festival de Locarno

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O documentário de produção portuguesa "António e Catarina", da romena Cristina Hanes, venceu a competição internacional de curtas-metragens no Festival de Locarno.

URS FLUEELER/EPA

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  • Agência Lusa
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O documentário de produção portuguesa “António e Catarina”, da romena Cristina Hanes, venceu neste sábado a competição internacional de curtas-metragens no Festival de Locarno, que atribuiu uma menção honrosa a “Verão Danado”, de Pedro Cabeleira, na competição de jovens realizadores.

A 70.ª edição do Festival de Locarno, na Suíça, terminou hoje, atribuindo ainda mais três prémios ou menções honrosas a três coproduções portuguesas, entre as quais o Prémio Leopardo de Melhor Realização para a longa-metragem franco-portuguesa “9 Dedos” de F.J. Ossang, na competição oficial.

Ainda na categoria de jovens realizadores, que atribuiu uma menção honrosa à primeira obra de Pedro Cabeleira, foi distinguida a coprodução franco-portuguesa “Milla”, de Valerie Massadian, que conquistou o Prémio Especial do Júri.

Na categoria “Sinais de Vida”, a obra “Era uma Vez Brasília”, de Adirley Queirós, coproduzida por Brasil e Portugal, conquistou uma menção honrosa.

‘António e Catarina’, o documentário de produção portuguesa realizado pela romena Cristina Hanes, venceu o Leopardo de Ouro para Melhor Curta-Metragem Internacional.

Citada num comunicado da sua assessoria de imprensa, a jovem realizadora nascida em 1991, explica como surgiu a obra, que levou três anos a realizar, enquadrada no seu mestrado em Realização de Documentário, e que retrata a sua relação com um desconhecido, um homem de 70 anos.

“Este filme é uma viagem com Augusto, um homem 45 anos mais velho que eu, que conheci acidentalmente. Nesse momento, impressionada pela sua figura sedutora e enigmática tirei-lhe uma fotografia. Enquanto caminhávamos numa avenida de Lisboa, ele sussurrou-me ao ouvido ‘vamos dar as mãos e imaginar que estamos em Paris’. Encontrámo-nos durante três anos no quarto dele, movidos pelo desejo de estarmos juntos. Através do cinema, eu pude preservar momentos fugazes dos nossos encontros. Quando terminei o filme fui surpreendida pela notícia da morte de Augusto e percebi que tínhamos partilhado os últimos três anos da vida dele”, explicou a realizadora, citada no comunicado.

O francês F.J. Ossang foi o realizador “In Focus” da edição deste ano do Curtas de Vila do Conde, onde foi apresentada uma retrospetiva integral da sua obra, depois de ter vencido a competição experimental em 2009, com “Vladivostok!”.

Ossang foi descrito pela organização como “um radical livre, praticando, com o seu cinema, um estilo particular, partindo do mundo pós-apocalíptico de ficção científica, para se aproximar do punk e do ‘film noir'”.

O realizador acompanhou a sua retrospetiva em Vila do Conde, ao longo da semana em que também viu o seu nome anunciado para o festival de Locarno, com a seleção de “9 Dedos”, o seu mais recente filme, rodado em Portugal, numa coprodução com “O Som e a Fúria”, que conta com Paul Hamy como protagonista, ator que já fora “O Ornitólogo”, de João Pedro Rodrigues, que venceu o prémio de melhor realizador em Locarno em 2016.

O realizador francês já filmara em Portugal “Le Trésor des Îles Chiennes”, com o produtor Paulo Branco, fizera “Dharma Guns”, com a participação da Cinemate, e entregara o papel principal de “Docteur Chance” ao ator Pedro Hestnes, que morreu em 2011, num elenco que também contava com Diogo Dória e José Wallenstein.

Locarno, para além do prémio de melhor realizador para João Pedro Rodrigues, já anteriormente tinha distinguido, em 2014, o filme de Pedro Costa “Cavalo Dinheiro”, com o prémio de melhor realização e uma menção especial da Federação Internacional de Cineclubes, enquanto no ano anterior, 2013, o realizador português Joaquim Pinto conquistara o prémio especial do júri, o prémio da crítica e o prémio do júri jovem do festival, com o documentário “E agora? Lembra-me”.

Gabriel Abrantes (“Liberdade”, “A History of Mutual Respect”) e Gonçalo Tocha (“É na Terra não É na Lua”) são outros realizadores portugueses distinguidos em anos recentes, no Festival de Locarno.

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