Explicador

O que está em causa na Autoeuropa. Conflito laboral ou guerra sindical?

Agosto 201730 Agosto 2017581
Ana Suspiro

Mais do que um conflito laboral, é uma guerra política e sindical?

Pergunta 3 de 13

A tese foi confirmada e aprofundada por António Chora que liderou a comissão de trabalhadores antes de Fernando Sequeira. No dia da greve, Chora reproduziu, em várias declarações públicas, a ideia do “assalto ao castelo” (que é a Autoeuropa) por parte de um sindicato da CGTP. E foi mais longe.

Defendeu que faz parte de uma tentativa do PCP para pressionar o Governo e obter cedências noutras áreas. Chora não diz quais, mas vivem-se momentos decisivos na negociação da proposta de Orçamento do Estado para 2018.

Greve na Autoeuropa. António Chora lamenta “populismos” na Comissão de Trabalhadores

António Chora mostrou-se espantado com a greve e denunciou o que considera “populismo” por parte de elementos do sindicato e a instrumentalização dos trabalhadores. Esta posição foi secundada por Torres Couto, antigo líder da UGT, que também defendeu que a greve é uma tentativa dos comunistas de ganharem poder negocial perante o Governo.

Mais à direita a leitura vai no mesmo sentido, mas ainda de forma mais vincada. A ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque diz que o conflito é mais um preço a pagar para manter a geringonça, em troca de mais poder para a CGTP.

Maria Luís Albuquerque. Conflito na Autoeuropa é “mais um reflexo da geringonça”

O Fórum para a Competitividade, um grupo de reflexão ligado à classe empresarial alinha no mesma nota:

É “também uma discussão sobre o modelo de relações industriais na Autoeuropa que está em causa. E a greve de hoje tem por finalidade reforçar a posição da CGTP nessa discussão, de que se sentiu arredada pela prática negocial da CT”.

Tal como António Chora, também Fernando Sequeira é próximo do Bloco de Esquerda, e já manifestou a intenção de se recandidatar ao cargo de coordenador da comissão de trabalhadores. Dado o tom de escalada no conflito laboral, é muito provável que vá ter concorrência.

A coordenadora do Bloco de Esquerda foi a primeira líder partidária a tomar posição sobre o tema.

“Acho que olhamos todos para a Autoeuropa com uma enorme apreensão, é uma das maiores empresas portuguesas, uma das maiores exportadoras, julgo que tem existido alguma inflexibilidade nestas negociações, preocupa-me que a administração também diga que agora não quer negociar.”

Para Catarina Martins, “a Autoeuropa tem sido um exemplo desse diálogo e tem sido um exemplo do respeito pelos seus trabalhadores, que é bom que se mantenha”.

 

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