Explicador

O que está em causa na Autoeuropa. Conflito laboral ou guerra sindical?

Agosto 201730 Agosto 2017581
Ana Suspiro

Que consequências pode ter o conflito para a Autoeuropa?

Pergunta 12 de 13

O fim da paz social na maior fabricante automóvel em Portugal já fez soar os alarmes a nível político e empresarial. Caso não consiga o turno ao sábado, a Volkswagen pode deslocalizar uma parte da produção para outra unidade do grupo alemão — este foi um modelo muito disputado e há unidades na própria Alemanha com folga para receber o trabalho extra.

No caso do T-Roc, a plataforma é comum àquela que equipa os modelos mais populares da VW, como o Golf, o Passat e o Tiguan, o que significa que o carro pode ser fabricado em quase todas as unidades do grupo alemão.

Neste cenário, o principal impacto seria sentido ao nível do emprego. António Chora admite que uma transferência parcial poderia reduzir a contratação de trabalhadores em 700 ou 800.

A comissão de trabalhadores da comissão de trabalhadores do parque industrial da Autoeuropa admite que pode ficar comprometida a contratação de 400 trabalhadores pelas empresas fornecedoras da fábrica de Palmela.

No limite, e em caso de agudização do conflito laboral, todo o modelo pode sair de Palmela, e isso poderá também, no limite, pôr em causa a sobrevivência da própria Autoeuropa já que o T-Roc seria o principal produto nos próximos anos, responsável já em 2017 por cerca de um quarto das exportações da fábrica.

De acordo com o sindicato, os trabalhadores da Autoeuropa não receiam uma eventual deslocalização da produção do novo veículo T-Roc atribuído à fábrica de Palmela, até porque grande parte do investimento em causa foi suportado pelo governo português. Para o coordenador do Sitesul, Eduardo Florindo, algumas declarações a alertarem para o perigo de uma eventual deslocalização da produção “constituem apenas uma forma de pressão para que os trabalhadores aceitem os novos horários”.

A unidade da Volswagen tem estado sempre, nos últimos dez anos, entre as três maiores exportadoras portuguesas.

Para o Fórum para a Competitividade, a produção do novo modelo de grande série é essencial para o futuro da Autoeuropa.

A unidade chegou a produzir quase 140.000 carros (em 1998) e em 2016 produziu apenas 85.131. Daí que a sua contribuição para as exportações tenha diminuído de 12% do total das exportações portuguesas em 1997 para 3% em 2016 e que o emprego tenha, apesar de tudo e graças à paz social, baixado apenas de 4.000 para 3.295 no mesmo período.

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