Moçambique

Liderar a mudança no feminino

Autor
  • Susana Correia de Campos
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Esta aposta passa por dar às jovens moçambicanas acesso à educação, por desenvolver um programa inovador para formar a nova geração de líderes que serão certamente agentes de transformação do seu país

Quando em 2016 a Fundação Girl Move nos endereçou o pedido de acolhimento de duas jovens licenciadas Moçambicanas para a realização de um estágio no Grupo Jerónimo Martins, estávamos longe de imaginar que esta cooperação nos levaria a Moçambique e que teríamos a oportunidade de testemunhar no terreno o trabalho diário desta Fundação. Acreditando que o crescimento sustentável depende do talento dos nossos Colaboradores e da consciência social com que conduzimos os nossos negócios, identificámo-nos de imediato com a missão da Girl Move: capacitar jovens mulheres para serem um agente de desenvolvimento na sociedade moçambicana, promovendo o desenvolvimento do seu talento e das suas competências de liderança, criando condições que permitam a integração no mercado de trabalho e a sua plena realização. Depois de termos recebido as primeiras jovens no Grupo Jerónimo Martins, quisemos conhecer a realidade no terreno.

Foi aqui que compreendemos a aposta da Fundação no talento feminino, acreditando profundamente que é a solução para o problema do ciclo de pobreza planeada, que remete as mulheres para a posição de únicas fontes de rendimento e de apoio às suas famílias.

Esta aposta passa por dar às jovens moçambicanas acesso à educação e por desenvolver um programa inovador para formar a nova geração de líderes que serão certamente agentes de transformação do seu país.

Em Nampula, o trabalho da Fundação está organizado de forma muito estruturada: as Mwarusi, jovens raparigas entre os 12 e 15 anos, beneficiam de um tempo de convívio com actividades diversas, liderado por jovens universitárias finalistas, a quem as Mwarusi chamam “manas”, porque criam com elas uma relação de mentoria baseada na confiança e na empatia. Tais actividades incluem formação em temas básicos, como a auto-estima ou conhecimentos de higiene e saúde, motivando-as a percorrer um caminho de desenvolvimento pessoal que passa necessariamente, por um percurso escolar. São estas as jovens que, no futuro, se espera que venham a ocupar posições de liderança na sociedade moçambicana contribuindo assim, de forma activa, para o progresso do seu país.

Estas jovens, através do seu exemplo, irão certamente incentivar muitas outras raparigas a quererem fazer um caminho semelhante, o que contribuirá para evitar os muitos perigos que as espreitam como os abusos sexuais, a gravidez precoce ou a pobreza, motivando-as a não desistir mesmo nas condições mais adversas. Cada jovem que quer fazer este caminho, conta!

De salientar que, o projecto da Fundação promove o desenvolvimento académico e profissional das mulheres sem secundarizar o seu papel na família ou na maternidade, quebrando ciclos de pobreza e exclusão social e procurando a sua plena realização nos diferentes eixos da sua vida.

São estas Girl Movers que pelo segundo ano consecutivo, acolhemos com grande satisfação no Grupo Jerónimo Martins. Quer as equipas que as recebem, quer as suas mentoras, desenvolvem estes estágios com um enorme sentido de missão, procurando partilhar o que têm de mais valioso: conhecimento técnico e inovação nas áreas de negócio com interesse para o estágio, desenvolvimento nas áreas de gestão de pessoas e das suas competências relacionais, fomentando a comunicação e o trabalho em equipa. Tudo isto a par de uma mentoria de vida.

Pocurando o Grupo Jerónimo Martins contribuir para estes percursos com o que de melhor tem, não há dúvida que recebe em dobro. A passagem das Girl Movers reforça os nossos valores e os laços de solidariedade e generosidade entre as equipas, fomenta a partilha do melhor que cada um tem para dar e relembra-nos que as condições necessárias ao desenvolvimento digno de cada ser humano faltam ainda em muitos países do mundo e podemos sempre contribuir – individual e colectivamente — para a correcção das assimetrias e injustiças, ainda que nos pareça pouco ou inútil. Quando em Moçambique, perguntei num dos grupos de Mwarusis o que queriam ser no futuro, uma delas respondeu imediatamente, Presidente da República. E quando questionei o porquê da escolha, afirmou que gostaria de melhorar as condições de vida das pessoas no seu país. O reforço da consciência social e de cidadania, bem como, da liderança pelo serviço, conceitos bem presentes no programa da Fundação são sem dúvida, o maior contributo que as Girl Movers deixam nas empresas que as acolhem e em todos os que com elas se cruzam. E em cada uma destas jovens há um olhar de satisfação quando falam dos desafios superados e uma vontade de aproveitar cada minuto de vida com a alegria própria do seu país.

Deixemo-nos inspirar.

Head of Corporate Employer Relations do Grupo Jerónimo Martins

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