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Miguel Santo Amaro estava a estudar em Boston, nos Estados Unidos da América (EUA), quando decidiu que era em Portugal que queria lançar o seu negócio. “Foi uma decisão consciente”, disse ao Observador o jovem de 25 anos que diz nunca ter tido um chefe. “A minha startup foi o meu primeiro emprego”, conta.

Cinco anos fora, uma licenciatura no Reino Unido, em finanças, e um mestrado em empreendedorismo global, nos EUA, foram o ponto de partida para a viagem que começou na Rua da Prata, na baixa pombalina de Lisboa, em 2012 e que, dois anos depois, aterra um pouco por todo o mundo, a Uniplaces.

A startup de Miguel Santo Amaro foi um dos primeiros projectos a integrar a Startup Lisboa, incubadora de empresas que é uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e que, desde Junho de 2013, tem casa própria. A vontade de lançar um negócio surgiu em Boston, mas a ideia da plataforma online de alojamento, onde estudantes de qualquer país podem reservar um apartamento ou quarto, só ganhou forma em Portugal, enquanto o empreendedor procurava casa para Ben Grech, inglês, e Mariano Kostelec, argentino, cofundadores da startup.

“Percebemos que o processo que existia era muito informal, nada transparente e que não era um sistema fácil ou seguro para quem se está a deslocar para uma cidade que não conhece”, conta. Foi aqui que surgiu a oportunidade. Porque não uma plataforma de reservas de alojamento para períodos entre três meses e dois anos, que servisse de ponte entre o arrendatário e o senhorio?

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Emprego para 30 pessoas

As casas que aparecem no site são verificadas pela Uniplaces, os anúncios são escritos pela equipa de Miguel Santo Amaro e as fotos são tiradas por profissionais. A empresa emprega cerca de 30 pessoas, tem reservas em Londres e em Lisboa e prepara-se para lançar Madrid. Com reservas oriundas de 75 países, gerou aproximadamente dois milhões de euros em contactos, mas pretende mais. No total, o investimento no projecto ronda um milhão de euros.

“Tínhamos um bom projecto, um bom plano e fui bater à porta de muita gente. Tive a felicidade de encontrar a Shilling Capital Partners, que ainda hoje é nossa investidora e que nos apoiou”, conta.

Passaram dois anos desde o dia em que a Uniplaces se estreou na Startup Lisboa e Miguel Santo Amaro não tem dúvidas de que o empreendedorismo tem vindo a contagiar a cidade. Refere que as universidades estão mais atentas a esta realidade, que há cada vez mais projectos novos e que, apesar de ser necessário atrair mais capital, há mais dinheiro do que em 2012.

Quando os três fundadores da Uniplaces fizeram as malas para sair dos EUA, era em Portugal que queriam arriscar. “Sentimos que em Portugal tínhamos boa qualidade de vida e bom talento quanto a recursos humanos. Provavelmente, não existe o capital que há em São Francisco ou em Londres, mas é fácil recrutar cá. Em São Francisco, um engenheiro custa 150 mil dólares por ano, quando só esse valor é o investimento que se consegue angariar num ano para uma startup”, diz.

Para o futuro, há a ambição de fazer da Uniplaces uma Booking.com de raiz portuguesa. Pensada e nascida em Portugal, mas virada para o mundo.