A história de Edward Snowden, o ex-espião da NSA (Agência de Segurança Nacional) que divulgou informações secretas sobre os programas de espionagem em massa dos EUA, está no meio de dois gigantes. Não, não estamos a falar da Rússia, onde está exilado, nem dos EUA, de onde está fugido. Estamos mesmo a falar do realizador Oliver Stone e dos produtores de James Bond. Ambos querem reproduzir a história do norte-americano no grande ecrã e, ao que tudo indica, ambos vão fazê-lo.

Oliver Stone anunciou na segunda-feira que vai escrever o guião e realizar o filme baseado na história contada pelo jornalista britânico Luke Harding – correspondente do The Guardian – no livro ‘Os ficheiros de Snowden’. O realizador, vencedor de três óscares da Academia, comunicou ontem à imprensa que já estava a avançar com a ideia, juntamente com o seu parceiro de produção Moritz Borman.

O projeto junta desta forma um dos mais polémicos realizadores de cinema com um dos mais polémicos temas da atualidade. E promete: “Esta é uma das grandes histórias dos nossos tempos”, disse Oliver Stone em comunicado, acrescentando que é um “grande desafio”. O realizador nunca escondeu que é defensor de Edward Snowden, que considera “um herói por ter revelado segredos que todos devíamos saber” – “nomeadamente que os EUA violaram repetidamente a Quarta Emenda”.

Mas o anúncio acontece depois de, em meados de maio, a produtora Sony Pictures Entertainment ter avançado com a aquisição dos direitos de outro livro sobre o mesmo tema: ‘Snowden – Sem Esconderijo’, da autoria de Glenn Greenwald, o jornalista do Guardian que revelou e publicou as histórias originais baseadas nos documentos de Snowden. À frente da produção desta película estão já dois outros grandes nomes do cinema Michael G. Wilson e Barbara Broccoli, produtores de James Bond.

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O duelo cinematográfico já vem de trás e começa mesmo nos livros. Em fevereiro, quando Luke Harding publicou ‘Os Ficheiros de Snowden – A História do Homem Mais Procurado do Mundo’, Glenn Greenwald apressou-se a classificar a obra como “uma treta”. “Querem contar a história de Edward Snowden vista de dentro mas é escrita por uma pessoa que nunca se encontrou nem nunca falou diretamente com ele Edward Snowden”, disse na altura o ex-jornalista do Guardian.

Resta saber qual dos dois projetos segue para as salas de cinema. Ou se seguem os dois. Entretanto o ex-funcionário da NSA continua na Rússia, onde permanece exilado há 10 meses, e terá esta terça-feira pedido asilo político ao Brasil.