Este quarto dia arranca calminho. Frente a frente, os comandados de Ottmar Hitzfeld e uma equipa que quer honra a morte de um dos seus grandes avançados em julho passado. Segue-se depois o França-Honduras, que não parece dar grande espaço a surpresas. Ribéry é a grande baixa da seleção de Didier Deschamps, um treinador que diz ser necessário “um milagre” para a França ser campeã do mundo. Paul Pogba poderá ser a grande estrela desta equipa. Aguardemos com atenção.

Às 23h00, entra em ação o pequeno mago, Lionel Messi. Vale a pena ficar acordado até tarde só por isso. O criativo do Barcelona não teve um ano fácil, com lesões, más exibições e constantes más disposições e vómitos. Mas falamos de um argentino na terra do samba, que só quer estar à altura do legado de um outro 10. Messi terá em mente, certamente, a prestação de Diego Maradona no México-86. O canhoto já é imortal no futebol mundial mas deixar a marca num Campeonato do Mundo é o garantir de um lugar no Olimpo, a morada dos deuses, junto de outros monstros sagrados.

Suíça – Equador, às 17h00

O dia arranca com um pouco entusiasmante Suíça-Equador. A primeira é treinada por Ottmar Hitzfeld, um alemão de 65 anos que já ganhou sete Bundesligas, duas Ligas Suíças, duas Ligas dos Campeões e uma Intercontinental, por exemplo. A sua experiência e sabedoria ficaram bem espelhadas no apuramento para a Copa. Sete vitórias e três empates em dez partidas traduziram-se no primeiro lugar do Grupo E, com sete pontos de avanço para o segundo classificado, a Islândia. Hitzfeld está no cargo desde 2007/08. As referências desta seleção são Diego Benaglio (Wolfsburgo), o ex-guarda-redes do Nacional da Madeira, Lichtsteiner (Juventus), Gökhan İnler (Nápoles), Blerim Džemaili (Nápoles) e Shaqiri (Bayern Munique), o extremo baixote que é capaz de desequilibrar forte e feio.

O adversário dos suíços é o Equador, que é treinado por Reinaldo Rueda Rivera (57 anos) desde 2010. O colombiano tem uma larga experiência em seleções nacionais: entre 2004 e 2006 esteve ao comando da sua Colômbia, a que se seguiu cinco anos nas Honduras. Para quem espera uma cambada de toscos, desengane-se. Esta equipa, ao acabar na quarta posição do apuramento, empurrou o Uruguai de Luis Suárez para o playoff. Sete vitórias, quatro empates e cinco derrotas. Foi este o desempenho, o que nos leva a concluir que o Uruguai, eventualmente, já terá tido melhores dias.

Apesar do sonho de jogar num Campeonato do Mundo, esta seleção equatoriana chega ao Brasil com uma inspiração. Chucho Benítez, sabe quem é? Marcou quatros golos e fez quatro assistências em 794 minutos na fase de qualificação. Em julho, o então avançado do Al Jaish, um clube do Qatar, teve um problema cardíaco e morreu aos 27 anos. A sua morte foi trágica para este grupo de jogadores, que agora só quer honrar o seu compatriota, garantiram Rueda e Valencia, o extremo do Manchester United. Este último é precisamente a referência desta seleção. O outro grande jogador é, imagine-se, Felipe Caicedo (Al-Jazira). O ex-avançado do Sporting foi o melhor marcador da equipa na qualificação (sete golos).

Num grupo onde a França é a grande favorita, a batalha pelo segundo posto vai ser interessante de seguir.

França – Honduras, às 20h00

“Vou para o Brasil com muita ambição, mas também com uma grande dose de realismo. Há cinco ou seis seleções muito mais fortes que nós no plano teórico. Vencer o Mundial seria um milagre”. Foi assim que Didier Deschamps, o selecionador gaulês que foi capitão nos triunfos de 1998 e 2000, lançou o Campeonato do Mundo. A França só se apurou para a Copa depois de eliminar a Ucrânia no playoff — terminou em segundo no Grupo G, apenas três pontos atrás da Espanha. Tiremos o chapéu à dose de realismo, mas é importante não esquecer de que falamos de uma seleção cheia de grandes jogadores. Com a lesão de Franck Ribéry, o terceiro melhor jogador do mundo de 2013, será, eventualmente, Paul Pogba a assumir o protagonismo. O médio da Juventus tem tudo para se tornar num dos grandes médios da história. Parece ambicioso, nós sabemos, mas este rapaz tem tudo: técnica, corpanzil, remate forte e classe.

Pogba não estará sozinho contra o mundo. Cabaye (PSG), Matuidi (PSG), Sissoko (Newcastle) e Valbuena (Marselha), com o seu jeito mexido e com queda para grandes assistências, serão outros trunfos do meio-campo gaulês. Na frente há Benzema e Giroud, sendo que Griezmann (Real Sociedad) poderá ser uma das surpresas deste Mundial. Não esquecer que Mangala, o central do FC Porto, está no Brasil para aumentar o leque de opções numa defesa que tem em Varane a sua bandeira do futuro.

A seleção das Honduras é também ela treinada por um colombiano. O seu nome é Luis Guzmán e até já treinou durante quatro anos o Equador, curiosamente. Será um carrossel? Bom, adiante. As Honduras, ao conseguir o terceiro lugar na qualificação, apenas atrás de Estados Unidos e Costa Rica, também conseguiram algo significativo ao empurrar para o playoff a seleção mexicana, aquela que já venceu uma partida neste Mundial. Atenção a estes dois nomes, os melhores marcadores da seleção rumo à Copa: Jerry Bengtson (nove) e Carlos Costly (sete).

Argentina – Bósnia, às 23h00

Abram alas para Messi. O argentino chega ao Mundial como um valente ponto de interrogação, depois daqueles episódios das más disposições e vómitos. Mas nunca será aconselhável colocá-lo de lado na corrida para figura deste Campeonato do Mundo. Um argentino a jogar no Brasil? Cuidadinho. Garay, Rojo e Enzo Pérez são os representantes de Portugal nesta seleção treinada por Alejandro Sabella. O desempenho da defesa será a incógnita e maior preocupação para os argentinos, mas do meio-campo para a frente… Di María poderá continuar a ser utilizado como médio, como acontece no Real Madrid, depois há Mascherano, Enzo Pérez e Fernando Gago. O ataque está entregue a jogadores de outro mundo: Higuaín, Messi e Agüero.

Esta Bósnia poderá fazer um pouco o que não deixaram a Croácia fazer. Talvez não toque tão bem na bola, talvez não haja tanto talento, mas há equilíbrio, dinâmica e intensidade. As maiores esperanças dos bósnios centram-se em Pjanic e na dupla mais goleadora da qualificação europeia: Edin Džeko (dez) e Vedad Ibisevic (oito) — Van Persie foi o pichichi com 11 golos.

Estas seleçoes são as únicas com um histórico neste quarto dia de Mundial. Em 1998, num particular, a Argentina atropelou a Bósnia, cortesia de um tal de Gabriel Batistuta, que fez um hat-trick, Javier Zanetti e Ortega (5-0). No ano passado, igualmente numa partida de caráter particular, os argentinos voltaram a levar a melhor depois de um bis de Sergio Agüero (2-0).