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O Estados Unidos jogaram o primeiro Mundial da história, em 1930 — chegaram às meias-finais. Não falham uma edição desde o Itália-90 e agora prometem fazer estragos em 2014, em plena terra do samba. Sem Donovan, a referência máxima do futebol norte-americano, que até jogou na vitória contra Portugal em 2002, a referência passou a ser Clint Dempsey. E que bem lhe assenta esse papel. O Gana chegou ao Brasil com as expetativas a beijar o céu, depois de quase, quase ter chegado às meias-finais do Mundial de 2010. Vamos lá fazer um resumo do que aconteceu nesta partida.

James Kwesi Appiah, selecionador ganês, apostou em Dauda, Afful, Mensah, Boye, Asamoah, Rabiu, Muntari, Atsu, Jordan Ayew, André Ayew e Asamoah Gyan. Este último, o capitão de equipa, ainda não terá esquecido o penálti falhado do Mundial-2010 a três minutos do fim do prolongamento. Recorde aqui os momentos dramáticos do Gana-Uruguai de há quatro anos.

Jürgen Klinsmann, selecionador dos norte-americanos, optou por Tim Howard, Johnson, Cameron, Besler, Beasley, Jermaine Jones, Bradley, Bedoya, Davis, Dempsey e Altidore. Antes da partida, o presidente norte-americano, Barack Obama, deixou uma mensagem de apoio:

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As duas equipas encontraram-se nos últimos dois Campeonatos do Mundo. Em 2006, na Alemanha, o Gana venceu os norte-americanos na fase de grupos por 2-1, com todos os golos a serem marcados na primeira parte — Dramani, Appiah; Dempsey. Quatro anos depois, Kevin-Prince Boateng e Asamoah Gyan, este já no prolongamento, lançariam os africanos para quartos-de-final da prova; Donovan marcou para os EUA.

O início do jogo foi delicioso. Dempsey, o capitão norte-americano que passou pelo Tottenham, recebeu a bola na esquerda, driblou Boye e, com o pé esquerdo, colocou no poste mais distante. O defesa Boye ficou muito mal na fotografia. Este era o golo mais rápido deste Campeonato do Mundo e o quinto da história dos Mundiais. Klinsmann festejou como se não houvesse amanhã. Afinal, ele é um mestre na arte, já que o fez tantas e tantas vezes.

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A primeira contrariedade para os norte-americanos foi a lesão de Altidore à passagem do minuto 20. O avançado é um dos bons jogadores desta seleção de Klinsmann. Entrou Jóhannsson,  um avançado do AZ Alkmaar.

Depois do golo viu-se um jogo mais repartido, ainda que o Gana fosse ganhando algum ascendente. Os africanos investiam normalmente pelo lado direito, pelo lateral direito Opare e Atsu, o extremo ex-FC Porto. Os norte-americanos procuravam estar mais organizados no seu meio-campo e tentavam contra-atacar. Faltava capacidade para guardar a bola — 40% de posse de bola ao intervalo. O descanso chegaria sem que houvesse mais golos.

A segunda parte até começou amena, mas rapidamente veríamos um assalto do Gana à baliza de Tim Howard, que seria importante em vários momentos. Opare continuou mexido e Gyan, de cabeça, esteve muito, muito perto do empate. Atsu e Muntari também tentaram a sorte. Aos 58′, um dos momentos mais esperados: Kevin-Prince Boateng entrou finalmente para o lugar de Jordan Ayew. O médio do Schalke teria pouco impacto no jogo.

Os norte-americanos, que até assinaram um arranque prometedor e de qualidade, não se encontravam na segunda parte — não conseguiam sair em contra-ataque — e nunca foram capazes de congelar a bola. Jermaine Jones e Bradley estavam a ter muitas dificuldades para contrariar o andamento e vontade dos jogadores africanos.

Quando o ataque do Gana já nem era tão forte como havia sido, o empate chegou (82′). Já dentro da área, Asamoah Gyan deu um toque de calcanhar e André Ayew, o filho de Abedi Pelé, rematou de trivela para o um-um. Alguns portugueses já estariam a esfregar as mãos, pois aquele empate seria importante para as aspirações lusas. Já se adivinhava um final de jogo de loucos em Natal, pois claro. Et voilà: nem quatro minutos volvidos e os EUA empataram. Foi Brooks, de cabeça, depois de um canto.

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O apito final chegaria pouco depois. Foi um final dramático no Estádio das Dunas, em Natal. Fica na retina o talento e a vontade dos ganeses, que, no entanto, defenderam muito mal em vários momentos do jogo. Quanto aos norte-americanos, souberam sofrer e estacionar atrás. Marcar um golo de canto quatro minutos depois de um empate merecido também tem a sua pontinha de sorte. Mas é como dizem: a sorte dá muito trabalho.

Os norte-americanos assinam assim a primeira vitória no Mundial e colam-se à Alemanha na liderança do Grupo G. Klinsmann festejou muito no final com os seus jogadores, logo ele que sabe tão bem o que é triunfar num Campeonato do Mundo. Como jogador, o ex-avançado conquistou o Itália-90.