David Cameron, primeiro-ministro britânico, vai anunciar, nesta segunda-feira à tarde, uma série de medidas de emergência para combater “extremismos”, devido ao aumento do receio de atentados terroristas que possam surgir do regresso de jihadistas britânicos que estejam no Iraque e Síria. Porém, é “pouco provável” que vá reintroduzir poderes que possam forçar os jihadistas a irem embora das suas casas, apesar dos pedidos da polícia e agência de segurança.

O Governo britânico está de sobreaviso de que esta decisão pode ser sujeita a um desafio legal e Nick Clegg, líder dos Liberais Democratas, já anunciou estar contra, conta o Telegraph. Por isso, David Cameron irá forcar-se na prevenção: impedir que os jihadistas viajem para a Síria e Iraque ou que regressem ao Reino Unido, devido à crescente preocupação que eles levem a cabo ataques em terreno britânico.

Esta decisão promete vir a ser muito criticada pelos conservadores e trabalhistas.”Quando o nível de ameaça é aumentado para ‘grave’, o que quer dizer que é muito provável que aconteça um ataque, essa é a mensagem que deve ser ouvida pelos políticos mais velhos. Considerações políticas estão a desviar a atenção da importância deste caso”, disse Lord Carlile, membro dos Liberais Democratas e um dos responsáveis pela legislação contra o terrorismo no país.

Na sexta-feira, o nível de ameaça terrorista no Reino Unido foi aumentado para ‘grave’. Este é o segundo nível de alerta mais elevado, em cinco possíveis, significando que é “altamente provável” que um ataque terrorista ocorra. Ainda não existem dados suficientes para o nível mais alto, em casos de perigo iminente.

“O aumento do nível de ameaça está relacionado com a evolução dos conflitos na Síria e no Iraque, onde os grupos terroristas planeiam ataques contra o Ocidente. Alguns destes grupos podem ter envolvido combatentes estrangeiros que viajaram para lá a partir do Reino Unido e da Europa”, disse Theresa May, ministra do Interior do Reino Unido, na sexta-feira. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que há pelo menos 500 pessoas que viajaram do Reino Unido para combater na Síria e, provavelmente, no Iraque ao lado do grupo terrorista do Estado Islâmico do Levante e do Iraque (ISIS). “[Os extremistas] representam uma ameaça maior e mais profunda à nossa segurança do que até agora conhecíamos”, afirmou Cameron.

Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro britânico vai anunciar na câmara dos comuns uma série de medidas de emergência, incluindo a possibilidade de banir temporariamente cidadãos com ligações ao ISIS de regressarem a casa. Segundo o Telegraph, vai também anunciar medidas de controlo para as companhias aéreas a voarem do ou para o Reino Unido, de forma a que sejam obrigadas a fornecer informação sobre os passageiros, tal como as razões do voo. De acordo com o Guardian, o Reino Unido estabeleceu uma parceria com a Turquia e Alemanha, também para o mesmo efeito.

É esperado que alguns ministros anunciem o plano de forçar suspeitos de pertencer aos jihadistas a frequentar cursos de “desradicalização”. Esta renovação de legislação, já tinha sido sugerida no início deste ano por um revisor independente, David Anderson, lembra o Telegraph. E pode incluir a suspensão dos passaportes, termo de identidade e residência para os suspeitos, e controlar a proveniência dos passageiros de partida e com destino à Síria e Iraque, enumera o Le Monde. O anúncio vai se realizar às 15h30.