Israel anunciou a apropriação de cerca de 400 hectares do colonato de Eztion, situado nos arredores de Belém, no passado domingo. A organização não governamental Peace Now, com delegação no terreno, denuncia ser a maior apropriação em 30 anos. Um responsável do Governo palestiniano afirmou, à agência Reuters, que esta notícia só irá causar mais tensão depois do conflito em Gaza, que ocorreu nos últimos meses.

Os Estados Unidos da América já criticaram este anúncio e classificaram-no como “contraprodutivo” para as negociações de paz, incitando o Governo israelita a reverter esta decisão. “Nós afirmamos claramente estar contra esta atividade de colonato”, disse um membro do Governo norte-americano não identificado, à agência Reuters. “Este anúncio, tal como todos os anteriores relacionados com colonatos que Israel faz, é contraprodutivo para o objetivo do país já anunciado de negociar uma solução de dois Estados com os palestinianos.”

“Pedimos ao Governo israelita que volte atrás nesta decisão”.

A rádio Israel, escreve a agência Reuters, diz que esta medida é uma resposta ao rapto dos três adolescentes pelos militantes do Hamas naquela região, em junho, uma das faíscas que desencadeou a guerra de sete semanas em Gaza que matou mais de 2000 pessoas. O anúncio, tornado público no domingo pelos militares israelitas, não explicava a razão desta decisão de apropriação.

A Peace Now, uma organização não governamental que é assumidamente contra a instauração de colonatos na Cisjordânia, afirma que esta apropriação tem a intenção de transformar o local onde vivem 10 famílias, perto de um seminário judeu, num colonato permanente. Desde o ano 2000, que o Governo israelita anunciava a intenção de construir naquele local um “grande colonato”. No ano passado, foi a concurso público o orçamento para a construção de 1.000 casas para aquele local.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Segundo um representante palestiniano, aqueles terrenos eram utilizados para o cultivo de azeitonas.

Israel tem sido alvo de fortes críticas devido às suas atividades de colonatos, algo que a maioria dos países ao nível mundial considera ilegal de acordo com a lei internacional. Trata-se também de um grande obstáculo para a criação de um Estado palestiniano ou qualquer acordo de paz.

Nabil Abu Rdainah, porta-voz do presidente palestiniano Mahmoud Abbas, pediu publicamente para Israel voltar atrás nesta apropriação. “Esta decisão vai criar mais instabilidade. Isto só vai inflamar a situação depois da guerra em Gaza”, afirmou. Desde que Barack Obama foi eleito presidente dos EUA, em 2009, este tem estado em desacordo com Netanyahu na temática dos colonatos, sendo que esta foi uma das principais razões para o falhanço das últimas negociações de paz.

Oficialmente, Israel declarou que a construção do colonato não constitui um novo estabelecimento, porque o local é “designado de vizinho de um [colonato] já existente, Alon Shvut.

Cerca de 500,000 israelitas vivem entre os 2.4 milhões de palestinianos na Cisjordânia e na zona Este de Jerusalém, território que o estado judeu conquistou depois da guerra de 1967.