A seguir à água, o café é a segunda bebida mais ingerida no mundo, diz Nuno Castanheira, Coffee Specialist da Nestlé. A bebida presente no quotidiano da grande maioria dos portugueses — diz o senso comum — apresenta um valor energético residual, se tomada sem açúcar, mas desperta interesse pelas propriedades antioxidantes que contém.

A verdade é que há factos que pode não conhecer sobre o café, este que é um forte aliado no combate à celulite e ajuda a melhorar o estado de espírito e o humor. Por essa razão, falámos com duas nutricionistas para que desmistificassem algumas ideias (possivelmente) preconcebidas sobre a bebida, para que da próxima vez que pedir uma bica (ou um cimbalino) o faça com mais prazer. Tome nota: há seis mitos a registar.

1. Beber café aumenta a tensão arterial e o risco de doenças cardiovasculares
“A razão pela qual se acredita que isto acontece tem que ver com o efeito estimulante do café no sistema cardiovascular: a pessoa fica com a sensação que está mais ansiosa, com energia extra e com o coração a bater mais depressa. Os estudos têm mostrado o contrário”, explica Ana Leonor Perdigão. A nutricionista que trabalha para a Nestlé há 14 anos explica que a cafeína tem uma capacidade vasodilatadora, isto é, aumenta a elasticidade/capacidade dos vasos para fazer circular o sangue.

Lillian Barros, também nutricionista, corrobora a ideia. “Não podemos dizer que tomar café aumenta a tensão, sobretudo num consumidor habitual, que é o típico português. O consumo moderado da bebida tem benefícios no que respeita a prevenção de doenças degenerativas no sistema nervoso central, como o Alzheimer”.

2. As grávidas não devem beber café
O organismo demora quatro a seis horas a metabolizar a cafeína e a eliminar os seus efeitos. Durante a gravidez, este processo leva cerca de 18 horas. Isso faz com que a cafeína fique mais tempo em circulação; como esta atravessa a barreira placentária, pode chegar ao bebé. “Se a mãe for uma consumidora habitual, ela pode continuar a beber, embora possa existir uma indicação para reduzir”, diz Ana Leonor, que garante ainda não existir uma contraindicação à semelhança do que acontece com o álcool.

“Digo sempre à grávida para beber apenas um café por dia, mesmo que precise de mais”, explica Lillian Barros. A nutricionista prefere seguir esta linha de orientação mesmo que as futuras mães se sintam muito cansadas, o que é normal acontecer sobretudo no primeiro trimestre de gestação.

3. O consumo de café vicia
O consumo de café é um hábito como muitos outros e não uma “adição”, a qual é definida pela Organização Mundial de Saúde como o “abuso de uma substância psicoativa que interfere com a saúde do indivíduo, com as suas relações sociais e estado económico; de uma forma a obter a mesma sensação é necessário um aumento gradual da dose consumida, o que leva a um abuso de consumo”. Além disso, Ana Leonor recorda que a cafeína esteve durante muitos anos na lista de substâncias proibidas do Comité Olímpico e que passou a ser permitida em 2004.

Lillian Barros concorda com a ideia do hábito, mas traz ao debate a ligeira dependência que o café cria, até porque a sua abstinência origina uma sensação provisória de mal-estar, com as habituais dores de cabeça incluídas.

4. O descafeinado é mais saudável do que o café
O mito está diretamente relacionado com o processo de extração do café. A Buondi, marca portuguesa que faz parte da Nestlé, tem um processo natural, feito com água, pelo que não há contraindicação no consumo do descafeinado. “Mas também não há benefícios, a não ser que seja preciso reduzir a cafeína”, recorda Ana Leonor. Dito isto, há empresas que podem ainda usar processos químicos de extração.

“A um hipertenso suscetível à cafeína digo para substituir o café por um descafeinado, é verdade”, acrescenta Lillian Barros.

5. O café provoca celulite
“O café é considerado um diurético natural, baixo em calorias. Consegue acelerar o metabolismo e ajuda a queimar lípidos. É, por isso, um aliado na perda de peso e na luta contra a celulite”, diz Ana Leonor Perdigão, salientando que há estudos que corroboram a teoria e cremes para o efeito cuja composição inclui cafeína.

Lillian Barros explica que o café estimula a circulação sanguínea e, por isso, pode ser preventivo na melhoria do aspeto da pele. Isto considerando a toma de café sem açúcar.

6. O consumo regular de café prejudica a saúde
O consumo regular e moderado em adultos saudáveis não traz quaisquer malefícios. Para Ana Leonor Perdigão, a ingestão diária máxima recomendada de cafeína é de 300 mg, o que equivale a três chávenas médias de café expresso.

“Ajuda ao nível da concentração, a ter uma vida mais ativa e é rico em antioxidantes”, lembra Lillian, que recomenda o consumo diário de duas a três chávenas de café.