Foram 752 dias de estágio, 663 sessões de treino e 163 jogos. Eis o saldo das aventuras das seleções nacionais em 2013/14, que as levou a trabalhar por locais “arrendados” pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), como lembrou Fernando Gomes, presidente da entidade. A partir de abril de 2016 já não terão de o fazer — para essa data está prevista a inauguração da Cidade do Futebol, projeto que foi esta quinta-feira apresentado e será construído no Centro Desportivo de Alto Rendimento do Jamor, em Oeiras, “sem um cêntimo de financiamento público”.

Palavra de Fernando Gomes, presidente da federação, que foi o primeiro a subir ao palco do auditório da FPF, em Lisboa, para apresentar o projeto. O dirigente, já depois de congratular os presentes que enchiam a sala, frisou que a entidade já conseguiu “financiar 85%” dos cerca de dez milhões de euros de investimento previsto para o projeto. A UEFA contribuirá “aproximadamente com 4,5 milhões”, enquanto da FIFA chegarão 1,5 milhões de euros. Os restantes 15% do financiamento resultarão “do cachet da participação da seleção nacional em jogos amigáveis”.

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O objetivo, sublinhou o presidente, é o de “concretizar o projeto em abril de 2016”, sem saber se será “a 20, 25 ou dia 30 desse mês”. O certo, explicou, é que “a saúde financeira de que goza a federação” lhe permite “financiar este tipo” de empreendimentos. Fernando Gomes revelou que a sede da FPF será realocada para a Cidade do Futebol e, portanto, a “alienação da sede atual” permitirá “poupar uma quantia significativa” que reverterá também para a construção do projeto — Fernando Gomes espera que esta verba atinja os 7 milhões de euros.

E a Cidade do Futebol terá um pouco de tudo: balneários e ginásios para os jogadores, escritórios para os treinadores e o gabinete técnico, espaços para guardar máquinas destinadas a tratar a relva e, até, várias salas de conferências. Tudo isto ficará repartido por quatro edifícios, que serão construídos em forma de ‘T’ e ficarão colados a três campos relvados e até um meio campo, à parte, próprio para guarda-redes. O complexo foi desenhado pelo ateliê de arquitetura Risco, responsável também pelos projetos da Expo’98 e do Estádio da Luz, por exemplo.

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O complexo será construído nos terrenos do Alto da Boa Viagem, um pouco a Norte do Estádio Nacional, um espaço que hoje alberga um parque de estacionamento. O protocolo que aprovou o projeto, recorde-se, foi assinado em 2012 pela FPF com o então ministro Miguel Relvas.

Tudo “será edificado”, garantiu Fernando Gomes, sem “um cêntimo de financiamento público” e “cumprindo todas as obrigações tributárias em Portugal”. A primeira empreitada arrancará algures no final deste mês, embora a construção dos edifícios comece apenas em março de 2015 — o concurso para esta obra será lançado “ainda este ano”.

A Cidade do Futebol resulta de uma parceria entre da FPF com o Governo, a Câmara Municipal de Oeiras, a UEFA e a FIFA. “Agora é tempo de avançar com os trabalhos. O futebol vai para um espaço da federação, mas estará aberto a todos os que necessitarem de um treino, conferência, tratamento clínico ou recuperação de uma lesão”, garantiu Fernando Gomes, presidente da federação.

O presidente da FPF, porém, chegou a admitir que, mesmo com a Cidade do Futebol, ocasionalmente “algumas seleções poderão ter de continuar a trabalhar fora”. Até à construção do complexo, como explicou, a federação fará como sempre fez até hoje: a trabalhar “sem casa própria”, em “instalações arrendadas” e a suportar “os encargos financeiros” por se deslocar “para municípios longe de onde se encontram as estruturas” da federação. A partir de abril de 2016, se forem cumpridos os prazos, tudo mudará.