Dor, consternação, passagens rápidas nos corredores, conversas solidárias e repetição do discurso do novo líder António Costa têm pautado as reações dos deputados socialistas esta manhã no Parlamento, onde se discute o Orçamento do Estado, mas onde o tema mais marcante é a detenção de José Sócrates.

“Vejo com dor. Trabalhei vários anos com José Sócrates e a imagem que tive e tenho dele não é a que tem sido divulgada nos últimos dias. Habituei-me a ver uma pessoa que lutava até às suas últimas forças pela ideia e visão que tinha e queria do seu país”, afirmou Vieira da Silva, ministro do Trabalho e Solidariedade Social e, depois, da Economia, Inovação e Desenvolvimento nos dois governos de Sócrates à entrada do plenário.

Para Vieira da Silva, “estas questões são dolorosas”, desejando que, “tão rápido quanto a justiça o permita”, José Sócrates “possa ser ouvido, defender-se das suspeitas também perante a opinião pública dada a dimensão mediática deste caso”. O antigo ministro passou a manhã dentro e fora do plenário, atendendo chamadas e falando com vários do PS, sendo confortado pelos colegas.

As principais figuras do partido e socráticos acérrimos não faltaram às votações desta manhã. Exemplo disso foi Jorge Lacão, antigo ministro de Sócrates, que chegou depois do início da sessão, mas disse aos jornalistas estar “consternado com a situação”, como “qualquer pessoa amiga de José Sócrates”.

Maria de Belém Roseira, ex-presidente do PS, que chegou um pouco mais tarde, manteve, por sua vez, o discurso do novo líder, António Costa, considerando que este caso é “uma questão que pertence à justiça”. Também Eduardo Cabrita, deputado do PS e antigo secretário de Estado da Administração Local do Governo de Sócrates, disse à saída do plenário que foi “surpreendido” por esta detenção, mas que a justiça “funcionará a seu tempo”. “O PS concentrar-se-á em devolver a esperança aos portugueses”, disse o deputado.

Costa enviou no sábado um SMS aos militantes dizendo que “os sentimentos de solidariedade e amizade pessoais não devem confundir a ação política do PS” e “que, como é próprio de um Estado de Direito, só à Justiça cabe conduzir com plena independência”.