Um estudo do Cancer Research UK publicado no British Journal of General Practice alerta para alguns sintomas aos quais não se presta atenção mas que podem ser a chave para se detetar o cancro. Os investigadores entrevistaram mais de 1700 pessoas a partir dos 50 anos, todos eles tiveram sintomas que não raras vezes estão associados ao cancro, tais como tosse persistente, rouquidão, caroços, alterações nos movimentos intestinais, na bexiga ou uma ferida que não sara.

Segundo uma das investigoras, Katriina Whitaker, há pacientes que se apercebem dos sintomas mas têm medo, medo dos resultados ou mesmo medo de serem considerados exagerados por se preocuparem com sintomas tão comuns:

“Muitas das pessoas que entrevistamos tinham sintomas de alerta vermelho mas sentiram que esses eram triviais, e não precisavam de atenção médica, principalmente se não tivessem dores ou se as dores fossem intermitentes. Outros sentiram que não deviam armar uma confusão ou gastar importantes recursos do Serviço Nacional de Saúde.”

Durante o processo os medos vão-se confundindo, mas segundo o estudo, a maioria das pessoas vai adiando os exames e as consultas. São muitos os testemunhos dos participantes no estudo que espelham este medo, um homem que tinha um caroço na garganta que nao desaparecia explica: “No fundo temos sempre medo que seja cancro, bem, mais vale verificar se esse for o caso.”

A investigação conclui ainda que os pacientes precisam de um incentivo para consultar o médico, sejam o conselho de alguém próximo ou o aparecimento de um novo sintoma. O conselho dos especialistas é que não esperem, “quanto mais depressa for diagnosticado, mas depressa se sabem os resultados” e o diagnóstico pode salvar vidas.