Rádio Observador

Futuro da Grécia

Grécia: Vital Moreira acusa esquerda portuguesa de “oportunismo pouco recomendável” (PS incluído)

2.110

O ex-deputado acusou a esquerda e o PS de se estarem a aproveitar da vitória do Syriza nas eleições gregas. Um Governo que, aliás, vai levar a Grécia à "bancarrota e à saída do euro", acusa.

Vital Moreira foi candidato socialista nas eleições europeias de 2009

EPA

Vital Moreira, antigo cabeça-de-lista do Partido Socialista às eleições europeias em 2009, tem tecido duras críticas ao programa anti-austeridade e anti-troika do recém-eleito Governo helénico. No blogue Causa Nossa, Vital Moreira tem acusado Tsipras de ter um programa “pura e simplesmente irrealizável”, que levará a Grécia para a “bancarrota e para a saída do euro”. Mas as críticas do ex-juiz de Ratton não se destinaram apenas aos gregos: por cá, segundo Vital Moreira, a aproximação da esquerda portuguesa, com PS incluído, é de um “oportunismo pouco recomendável”.

A tentativa de todas as esquerdas em Portugal para cavalgarem a vitória da esquerda radical na Grécia, incluindo partidos que pouco têm a ver com o Syriza, como o PS e o PCP, releva de um oportunismo pouco recomendável. (…) Faltava o partido de Marinho e Pinto. Subitamente parece que “todos somos Syriza” (salvo seja, no que me diz respeito)”, escreveu Vital Moreira a 26 de janeiro.

Já antes, quando ainda não se conhecia o vencedor das eleições na Grécia, o ex-deputado tinha criticado “a simpatia” que alguns setores do PS tinham demonstrado para com uma eventual vitória da coligação de extrema-esquerda. “Julguei que as simpatias do PS na Grécia iam para o Pasok, o partido socialista grego, principal vitima do desmoronamento da ficção económica e orçamental que a Grécia era e que a crise de 2008 pôs a nu”, comentou, reagindo às declarações de Eduardo Cabrita, presidente da comissão de Orçamento e Finanças, e de João Galamba, secretário nacional do partido, ao Observador.

Este último pronunciou-se, ainda, sobre uma questão que António Costa ainda não esclareceu: os socialistas defendem ou não uma conferência da dívida? Galamba disse “que que faz todo o sentido e está em linha com o que o PS tem defendido”. Vital Moreira, por sua vez, afastou completamente essa hipótese, prevendo que essa será a primeira grande derrota de Tsipras:

A primeira derrota do novo Governo grego vai ser a falta de adesão à sua proposta de conferência dos países periféricos sobre a dívida. Não creio que algum dos governos convidados esteja disponível para integrar esse “sindicato dos devedores”, até porque nenhum deles defende o não pagamento, como propõe o Syriza (com as consequências já à vista na subida dos juros da dívida grega). A sede para a discussão de qualquer afeiçoamento da dívida (maturidades, juros, etc.) é obviamente o Conselho da União e o BCE”, sublinhou Vital Moreira.

Ainda sobre a posição do PS em relação ao Syriza, o ex-deputado revelou-se satisfeito com o esclarecimento de Vitalino Canas – no rescaldo da vitória de Tsipiras, o deputado socialista sublinhou que o Syriza não era o parceiro do PS. Vital Moreira reagiu assim:

O esclarecimento era necessário, sobretudo depois do equívoco criado por posições pouco avisadas oriundas do PS logo após a vitória do Syriza (…) O que me “faz espécie” são aqueles que entre nós combatem o BE e que depois festejam a vitória do BE grego. Ainda por cima, receio bem que as coisas vão correr mal na Grécia e que a identificação com o Syriza não vai ser propriamente um ativo político“, escreveu a 28 de janeiro.

Dias depois foi a vez do secretário-geral do partido, António Costa, ter afirmado que o PS “não é nem será o PASOK”. O que comentou Vital Moreira? “Faltou dizer: “O PS não é nem será o Syriza“!”, num artigo intitulado “O dito e o não dito”.

As observações de Vital Moreira não se centram apenas na aproximação de alguns socialistas aos gregos do Syriza. A posição de Francisco Louçã, que ao Diário de Notícias afirmou que “é a primeira vez que os portugueses têm um Governo que os defende na União Europeia”, referindo-se ao Governo de Tsipras, mereceu duras críticas de Vital Moreira, que chegou mesmo a perguntar “como é que haja quem leve a sério políticos destes?!”.

Engana-se portanto quem pensa que os nossos representantes políticos em Bruxelas são quem nós elegemos. Afinal, delegámos esse poder aos gregos! Deve ser por isso que a principal das medidas do novo Governo grego em prol dos interesses portugueses é pregar um calote de 500 milhões de euros quanto à divida que a Grécia tem para Portugal, pela nossa participação no primeiro resgate da Grécia em 2010/11. Não se poderia imaginar maior desvelo dos nossos novos defensores sem mandato em Bruxelas…”.

O que pensa, então, Vital Moreira sobre o programa de Alexis Tsipras? É assente numa estratégia de financiamento “puramente ficcional” e que “sem fundos próprios, tendo renegado a assistência financeira da troika e sem poder ir ao mercado refinanciar-se, a Grécia só pode entrar em default“, criticou. Ou seja, concluiu Vital Moreira, “a única explicação para este enigma é que o Governo Syriza se prepara para cessar pagamentos internos e externos, encaminhando-se deliberadamente para a bancarrota e para a saída do euro“.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)