“Quem representa o Benfica joga sempre com o sentido e sentimento de querer ganhar. Sabemos que a tarefa vai ser complicada. São duas equipas muito fortes e a melhor ganhará e espero que sejamos nós”, disse à agência Lusa o oposto Hugo Gaspar.

O jogador ‘encarnado’ aposta no fator surpresa para ganhar vantagem sobre o CMC Ravenna, numa eliminatória que prevê equilibrada e em que pode pesar, favoravelmente para o lado dos italianos, o ritmo competitivo do campeonato transalpino em relação ao do português. “A grande vantagem do CMC Ravenna, em comparação connosco, é o ritmo competitivo que traz de um campeonato que é extremamente equilibrado e disputado. Todos os fins de semana têm jogos duros, que os fazem evoluir”, adiantou Hugo Gaspar.

Esta é, de acordo com o jogador internacional português, a grande vantagem que o CMC Ravenna terá sobre o Benfica, bem como o facto de a primeira mão se disputar na Luz e a segunda, no domingo, em Ravenna, capital do mosaico bizantino. “Neste esboço de competição, disputar o segundo jogo em casa seria uma mais-valia, quanto mais não seja pela existência, se necessário, do ‘golden set’ [parcial de desempate]”, sustentou Hugo Gaspar, que já foi campeão de Itália pelo Sisley Treviso.

O jogador aposta, no entanto, no fator surpresa para ganhar vantagem já no primeiro jogo e embora reconheça que, “a este nível de profissionalização já não haver segredos, o Ravenna possa não saber muito bem o que vai encontrar em Lisboa e no Benfica”. “Mas, a este nível, são equipas tão profissionais que o conhecimento sobre o adversário é muito. E mesmo os jogadores já se conhecem das seleções. Mas há um pouco de surpresa e eles podem ser apanhados aqui. Esperemos que funcione”, defendeu Hugo Gaspar.

O CMC Ravenna ocupa o sétimo posto da Liga italiana de voleibol, após domingo ter averbado frente ao Molfetta (8.º classificado), a quinta derrota consecutiva, mas, para Hugo Gaspar, esta situação pouco ou nada interfere com o seu desempenho na Taça Challenge. “Em Itália existem vários clubes que apostam forte na modalidade. O voleibol é, por isso, forte e o campeonato é extremamente equilibrado, emotivo, competitivo e seguido pelo público”, explica Hugo Gaspar.

O momento atual do CMC Ravenna, afastado das grandes conquistas apesar de já ter erguido por três vezes a Liga dos Campeões (1991/92, 92/93 e 93/94), é explicado por Hugo Gaspar pelo facto de “nem sempre ser fácil às equipas com menos orçamento combater as equipas com maior poder económico”. “Ultimamente, o Ravenna não o tem conseguido. Mas este ano formou uma equipa muito boa e o resultado disso é que consegue estar na luta pelo ‘play-off’ italiano, o que demonstra que é uma boa equipa”, admitiu Hugo Gaspar.

O CMC Ravenna não escapou à crise em que mergulhou o grupo industrial Ferruzzi-Montedison, o seu principal patrocinador, apesar de ter no seu palmarés uma Taça do Mundo de Clubes (1991), duas Supertaças Europeias (1992 e 1993) e uma Taça CEV (1996/97). “O equilíbrio no campeonato italiano é muito. Todos os jogos são a doer, mas isso não quer dizer nada quando se compara com as competições europeias em que todos querem estar na final”, disse.

Hugo Gaspar reconheceu que “o Ravenna tem jogadores internacionais brasileiros e eslovenos”, mas lembrou que o Benfica tem “jogadores internacionais portugueses e alguns estrangeiros que são, sem sombra de dúvida, uma mais-valia”.

O campeão português, que garantiu domingo a presença na final do ‘play-off’ do título de 2014/15, com o terceiro triunfo sobre o Sporting de Espinho, apresenta um percurso imaculado na presente edição da Taça Challenge, em que soma seis triunfos em seis jogos.

Para chegar às meias-finais, o Benfica afastou nos quartos de final os gregos do Ethnikos Alesandroupolis, com 3-0 e 2-3, nos oitavos os compatriotas do Fonte Bastardo, por 3-2 e 0-3, e nos 16 avos os sérvios do Partizan Belgrado, por 1-3 e 3-1. Na primeira ronda, a formação benfiquista passou sem jogar frente ao CV Andorra, por desistência da equipa espanhola, um pouco à imagem do CMC Ravenna, que ficou isento dos 32 avos de final da prova.

O trajeto da formação transalpina é algo parecido com o da equipa portuguesa, já que soma cinco vitórias em seis jogos disputados. O Benfica apresenta um saldo de 18 parciais ganhos contra seis sofridos e o Ravenna de 17 contra cinco.