Este é o primeiro governo de David Cameron com maioria absoluta para os Conservadores e é também um governo com recorde no número de mulheres a ocupar cargos. David Cameron anuncia a lista completa dos membros do novo governo britânico através do Twitter.

Vamos então à presença feminina. Theresa May irá manter-se no cargo de Ministra da Administração Interna. Justine Greening continua como Secretária das Relações Internacionais  e Theresa Villiers como Secretária para os assuntos da Irlanda do Norte.  Nicky Morgan continua a liderar a pasta da Educação e da Igualdade e Liz Truss continua como Secretária do Ambiente. Amber Rudd será Secretária da Energia e Priti Patel será Ministra do Emprego. Portanto, há agora sete mulheres no Conselho de Ministros, ultrapassando as seis do governo de Gordon Brown de 2008.

A Câmara dos Comuns tem agora 191 mulheres eleitas deputadas, um número que contrasta com as 147 eleitas na última legislatura. As mulheres representam agora 29% do total da câmara baixa do Reino Unido, destaca a Bloomberg. Na câmara alta do Parlamento, estará também uma mulher a liderar — Tina Stowell será a líder da Câmara dos Lordes. Eis a fotografia da nova equipa publicada pelo primeiro-ministro no Twitter:

“Isto transmite uma mensagem muito encorajadora às mulheres em todo o mundo e, em particular, ao Partido Conservador” refere Tim Bale, professor de estudos políticos na Universidade Queen Mary em Londres, em entrevista à Bloomberg. “O facto de haver mais mulheres no conselho de ministros dá-lhes esperança de puderem progredir até ao topo”, acrescenta o professor.

Há muitos nomes que transitam da anterior legislatura para o governo dos próximos cinco anos. Entre os nomes adiantados está George Osborne, que vai continuar a ser responsável pelas finanças públicas do Reino Unido e, além disso, irá também ocupar o cargo de Primeiro Secretário de Estado, o segundo posto mais elevado do governo britânico.Os responsáveis pelos Negócios Estrangeiros, Philip Hammon, e pela Defesa, Michael Fallon, irão também manter-se nos cargos.

Jeremy Hun mantém-se como Secretário da Saúde.Já o antigo Secretário da Cultura e do Desporto, Sajid Javid, mudará de cargo para Secretário dos Negócios. John Whittingdale ocupará o seu lugar. Iain Ducan Smith também manterá o mesmo cargo, como Secretário do Trabalho e das Pensões. Michael Gove será Secretário da Justiça e Alistair Burt é o novo Ministro de Estado para a Pasta da Saúde. Chris Grayling será líder da Câmara dos Comuns.

Líder do partido ultranacionalista mantém-se

Nigel Farage foi o único deputado eleito pelo UKIP, mas não tinha conseguido ser eleito no círculo em que concorria e apresentou a demissão. No entanto, o partido rejeitou-a porque havia “esmagadoras evidências” de que os membros do partido não queriam que Farage saísse, disse fonte do partido e conta a BBC. O UKIP conseguiu 13% de votação nas eleições, o que corresponde a cerca de 3,8 milhões de votos. Assim, Nigel Farage continuará como líder do partido ultranacionalista britânico.

David Miliband recusa recandidatar-se à liderança do Partido Trabalhista

O antigo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros David Miliband, que em 2010 perdeu a corrida para liderar o Partido Trabalhista para o seu irmão Ed, recusou esta segunda-feira voltar a candidatar-se, depois da pesada derrota nas eleições de quinta-feira.

David Miliband criticou a campanha eleitoral liderada pelo seu irmão, e assinalou que o resultado dos comícios foi “devastador” para o partido, numa entrevista à BBC, dada em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde exerce a presidência da Organização (ONG) Não Governamental Comité Internacional de Resgate.

Ed Miliband demitiu-se da liderança do Partido Trabalhista na sexta-feira, depois de os trabalhistas, que aspiravam governar, terem perdido 26 lugares, permitindo ao Partido Conservador alcançar a sua primeira maioria absoluta nos últimos 18 anos.

“Claramente não sou candidato ao lugar de líder”, afirmou David Miliband, sublinhando esperar “que os amigos e colegas no Reino Unido recuperem as políticas dinâmicas e progressistas com as quais podem chegar a milhões de pessoas no país”.

Num contexto atual do Partido Trabalhista, que se virou para dentro para tentar recuperar da derrota eleitoral, David Miliband sustentou que o seu irmão propôs um programa demasiado difícil para a esquerda.

Na sua opinião, tanto o ex-primeiro-ministro Gordon Brown, anterior líder trabalhista, como Ed Miliband, fizeram com que a ideologia do partido “tenha retrocedido em relação aos princípios de aspiração e inclusão que estão no coração de qualquer projeto progressista bem-sucedido”. Para David Miliband, o fracasso eleitoral dos trabalhistas quer dizer que os votantes “não queriam o que lhes era oferecido”.

Sobre a relação pessoal com o seu irmão, Miliband assegurou que mantêm o contacto e que se sente “muito feliz” por ele. “Eu sempre disse que vou manter em privado as nossas conversas pessoas, mas também disse que seremos irmãos toda a vida”, concluiu.