A Ribeira das Naus, em Lisboa, vai voltar a receber um exemplar deste tipo de navios. É numa nau com cerca de 40 metros de comprimento que vai ser instalado um núcleo museológico sobre os Descobrimentos. Um projeto que terá um custo de cerca de 6 milhões de euros e que a Câmara Municipal de Lisboa e a Associação de Turismo de Lisboa (ATL) contam inaugurar no verão de 2016. O dinheiro, garante o presidente da autarquia, sairá diretamente do fundo criado pela taxa turística este ano introduzida na capital.

Para já, ainda só há “interesse e vontade” em criar o espaço museológico, segundo o protocolo firmado esta sexta-feira entre a autarquia, a ATL, a Marinha e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova (FCSH), a quem compete a criação dos conteúdos para o futuro museu. Trata-se de “algo que há muito faz falta no país e na cidade”, salientou Fernando Medina, presidente da câmara, na cerimónia que sucedeu à assinatura do documento.

“O nosso país não tem muitas histórias para contar ao mundo, mas tem uma grande história para contar”, disse Medina, explicando de seguida que a nau colocada na frente ribeirinha vai mostrar aos visitantes como é que estes navios eram construídos e como se preparavam as viagens que levaram Vasco da Gama à Índia e outros navegadores a todo o mundo.

O futuro espaço, para já designado “Pólo Descobrir”, terá a nau como uma galeria parcialmente subterrânea através da qual os visitantes poderão aceder ao navio. Por cima dessa galeria, ao nível da praia urbana da Ribeira das Naus, nascerá um café com esplanada, ladeado de algumas árvores.

Fernando Medina tem esperança de que esta nau seja o “primeiro passo de um projeto mais ambicioso”, no qual se criarão “um conjunto de pólos museológicos unidos em rede”, espalhados não só por Lisboa como por outras cidades do país. Por isso, realçou, o novo espaço “não quer ser um museu dos Descobrimentos”, antes um equipamento que contribua para dar “um novo ímpeto à difusão da História portuguesa”, como depois disse o almirante Macieira Fragoso, chefe do Estado-maior da Armada.

A dimensão exata da nau, os preços a cobrar aos visitantes e os conteúdos do museu serão agora estudados, mas a ATL conta ter obras no terreno ainda este ano.