O Governo grego já deu ordem de pagamento ao Banco Central Europeu (BCE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), cobrindo assim os 3,5 mil milhões de euros que tinha de pagar esta segunda-feira à instituição liderada por Mario Draghi e os mais de 1,5 mil milhões de euros em atraso ao FMI.

Segundo um responsável do Ministério das Finanças da Grécia, citado pela agência Bloomberg, Atenas deu ordem para pagar aos credores cerca de 6,8 mil milhões de euros, a quase totalidade do empréstimo de transição acordado com o país.

Entre os pagamentos que serão feitos está o pagamento atrasado ao FMI de várias parcelas do empréstimo que deveriam ter sido pagas em junho, que Atenas pediu para juntar num único pagamento a 30 de junho mas que não conseguiu honrar, depois de falharem as negociações para a conclusão do segundo programa de resgate. Ao FMI estavam por pagar mais de 1,5 mil milhões de euros.

Ao BCE, Atenas tinha a pagar esta segunda-feira mais de 3,5 mil milhões de euros, referentes a duas linhas de obrigações compradas pela instituição no mercado secundário de dívida pública ao abrigo do Securities and Makets Program (SMP), o mecanismo criado pelo BCE em 2010 para combater o impacto nos juros da dívida da crise das dívidas soberanas que se começava e evidenciar precisamente após a crise estalar na Grécia.

Aqui, a Grécia, ao contrário dos restantes países, ainda verá algum deste dinheiro de volta porque os países da zona euro têm um acordo para transferir os lucros do BCE com estas compras (juros pagos e a diferença entre o valor reembolsado pela Grécia ao BCE e o preço a que o BCE comprou esta dívida no mercado secundário) para Atenas.

O dinheiro será ainda usado para fazer pagamentos atrasados ao banco central grego, segundo o mesmo responsável do Ministério das Finanças grego.

Com o uso destes 6,8 mil milhões de euros para pagar estas dívidas em atraso, a Grécia quase esgota os 7 mil milhões de euros de empréstimo de transição dado pelos credores, em grande parte para pagar precisamente aos credores.