Grande Prémio do Japão, 5 de outubro de 2014. A chuva caía com força. À 44ª volta, Jules Bianchi, piloto francês de 25 anos, perdeu o controlo do monolugar da Marussia e embateu violentamente contra uma grua que ajudava a retirar o Sauber de Adrian Sutil. Foi imediatamente levado para o hospital mas, depois de nove meses a lutar pela vida, acabou por não resistir às lesões cerebrais. E pode perceber-se porquê: de acordo com um relatório agora revelado, o francês sofreu um impacto de 254 G, o equivalente a 254 vezes o peso do seu corpo.

A notícia, que já fez eco na imprensa internacional, começou por ser contada pela revista Auto Motor und Sport, que teve acesso ao relatório secreto sobre os dados do acidente que tirou a vida a Bianchi quando corria no circuito de Suzuka. No limite – dos limites – o corpo humano consegue suportar apenas 80 G, muito inferior ao impacto sofrido pelo piloto francês, que se despistou a 213 km/h e embateu contra a grua a 126 km/h. Uma redução abrupta de velocidade num intervalo de apenas 2,61 segundos.

“Foi como se um carro tivesse caído de uma altura de 48 metros em direção ao solo”, explicou Andy Mellor, conselheiro técnico do Instituto FIA e perito em segurança, à publicação alemã. “Marussia entrou parcialmente debaixo da grua e por isso foi pressionado de cima para baixo. Isso funcionou como um travão, com uma desaceleração abrupta no contacto direto entre o capacete e a grua. Nunca vimos nada assim“.

O relatório a que a revista alemã teve acesso faz parte de uma base de dados criada pela FIA – a “World Accident Database” – para estudar e monitorizar os acidentes de viação nas pistas de automobilismo. A Federação recolhe ainda os dados transmitidos pelos sensores que medem a intensidade dos impactos e que estão integrados nos auriculares dos pilotos, como descreve o El Mundo. O objetivo deste estudo da FIA é aumentar a segurança nas pistas e evitar que acidentes como o que vitimou o jovem de 25 anos voltem a acontecer.