É das folhas do ananás que é produzido o Piñatex. Trata-se de um material muito semelhante ao couro, que utiliza os resíduos das colheitas deste fruto. Esses resíduos são cortados em camadas e depois dispostos em rolos com espessuras diferentes, conforme a utilização que vão ter, explica o La Voz del Muro. E não é apenas nos sapatos ou nas malas que se pode esta biomassa, mas também para fertilizar os solos.

O Piñatex vem assim colmatar uma lacuna no mercado do couro: é cada vez mais difícil de encontrar e o seu tratamento é muito caro, pelo que chega às lojas com valores avultados e impraticáveis para a maioria das pessoas. Além disso, a curtição do couro, a pele de alguns animais, exige a utilização de químicos muito abrasivos, algo que não acontece com este novo material.

Foi há cinco anos que Carmen Hijosa teve a ideia de criar este material, nas Filipinas. Por lá, os fatos tradicionais já são produzidos através de restos de folhas do ananás, porque absorvem facilmente as cores utilizadas nas festas culturais daquela região. Das Filipinas, o material voou para Londres onde está a ser desenvolvido no College of Art, mas algumas marcas já o experimentaram. A Puma é uma delas.

A indústria farmacêutica também tem a ganhar com o Piñatex: este material tem propriedades antibacterianas, pelo que pode ser muito útil na medicina. E pode ser produzido com facilidade, já que apenas um ananás tem 30 a 40 folhas, explica o The Guardian.