Este é um daqueles problemas quase cliché que todas as mulheres sabem que vão ter, mais tarde ou mais cedo. Mas, na verdade, não é tão linear assim. Muitas fazem retenção de líquidos sem o saber e acabam por não tratar o problema. Outras andam com garrafas de chá atrás para ajudar na (famosa) retenção que afinal não têm.

Identificar os sintomas é o primeiro passo para compreender o que se anda a passar com o seu corpo. Alguns estudos indicam que podemos ganhar até 2,3 quilos a mais apenas com a retenção de líquidos. E, ao contrário do que a maioria das pessoas tende a pensar, quanto mais água consumirmos, menos vai ficar retida. Perceber aquilo que o seu corpo lhe quer transmitir não é fácil mas, neste caso, mais significa menos.

Compreender este problema

Cerca de 60 por cento do nosso corpo é composto por água e o nosso organismo está preparado para, falando de forma prática, saber manter o equilíbrio dessa água (a que fica e a que é eliminada). Segundo a Medical News Today (uma das editoras líderes na área da saúde), quando existem desequilíbrios no corpo, uma das formas que ele tem de reagir é acumular água em certas zonas — daí que a retenção seja muito comum no período pré-menstrual. Os líquidos saem dos vasos sanguíneos e acumulam-se no tecido subcutâneo, normalmente nas pernas, tornozelos, mãos, pés e abdómen, provocando o aspecto inchado da pele (o nome correcto é edema), sensação de pernas pesadas, desconforto e um aumento de peso até 2,3 quilos.

Para algumas mulheres, esta é apenas uma preocupação mensal. Mas, em muitos casos, torna-se um transtorno diário que interfere no dia-a-dia.

Porque é que a retenção acontece?

As alterações hormonais podem contribuir e, muito, para este problema, bem como a hereditariedade, a falta de exercício, a pouca ingestão de líquidos ou a forma como nos alimentamos: a falta de certas vitaminas pode ser a causa do problema, assim como ingerir muito sal, uma vez que este dificulta a eliminação da água do organismo.

Mas segundo o Washington Post, há mais factores na origem da retenção, e podem ser coisas banais do dia-a-dia: roupa demasiado apertada, ficar muito tempo sentada ou em pé, stress, ansiedade, temperaturas muito elevadas, pressão atmosférica (andar de avião). Cenários mais alarmantes e que merecem alguma atenção e uma visita ao médico são outras causas (cuja retenção de líquidos pode ser só um sintoma) como o hipotiroidismo, insuficiência renal, cardíaca ou problemas circulatórios.

Identificar a retenção de líquidos

Há um teste fácil de fazer em casa e que ajuda a perceber a olho nu se sofre, ou não, deste problema. Geralmente, a maioria das mulheres consegue perceber os sinais do “inchaço” em zonas mais susceptíveis, como as pernas. Se comprimir ou apertar de forma contínua a pele das pernas e, quando soltar o dedo, ficar marcado, doer ou a pele demorar algum tempo a voltar ao normal, é porque está a reter líquidos nessa zona. Outra forma de perceber o que o seu organismo lhe está a querer dizer é, então, o tal aumento de peso que não está associado a uma maior ingestão de alimentos ou à redução de exercício.

Como combatê-la

Manter-se hidratada é a fórmula mágica. Pode parecer um paradoxo mas, ao ingerir líquidos, vai ajudar o corpo a eliminar de forma mais eficaz as toxinas acumuladas, libertando-se assim da retenção. Tenha alguns cuidados aconselhados pelos especialistas:

  • beber muita água, infusões e chás ao longo do dia (uma mulher adulta deve beber diariamente 1,5 litros de líquidos e um homem 1,9 litros).
  • Consumir alimentos ricos em água e potássio (que estimula a eliminação de água do organismo), como vegetais e fruta.
  • Praticar atividade física com frequência e evitar o sedentarismo.
  • Drenagens linfáticas e chás diuréticos podem ajudar quem tem dificuldade em eliminar os líquidos do corpo.
  • Diminua drasticamente o consumo de sal. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o máximo de sal que devemos ingerir por dia ronda os cinco gramas, quando a média de consumo anda nos 12 gramas.
  • Diga adeus aos enchidos, aos alimentos pré-preparados e à fast food. Lembre-se que muito do sal que consumimos está escondido nestes alimentos.