O presidente da Vinci, dona da ANA – Aeroportos de Portugal, revelou esta terça-feira em Lisboa que iniciou discussões com o governo português sobre a possibilidade de um novo aeroporto em Lisboa, para responder ao aumento do tráfego aéreo de passageiros na Portela. A afirmação, citada pela Bloomberg, foi feita pelo presidente executivo (CEO) do grupo francês, Xavier Huillard, à margem da conferência Internacional Summit of Business Think Tanks.

As declarações de Huillard surgem no momento em que o governo está a acelerar a solução da Portela mais um, que passa pela utilização da base aérea do Montijo como infraestrutura complementar ao atual aeroporto. Esta solução é defendida como alternativa à construção de um novo aeroporto. E o objectivo do executivo é deixar fechado um memorando de entendimento para esta opção ainda na atual legislatura.

No entanto, as declarações do homem forte do grupo francês parecem apontar noutra direção. “Dada a taxa de crescimento que tivemos até agora, a data em que teremos de começar a pensar sobre isso [a construção de um novo aeroporto] está provavelmente mais perto do que pensávamos antes“, assumiu o CEO da Vinci, citado pelo Jornal de Negócios. O número atual de passageiros na Portela está nos 17 a 18 milhões de passageiros.

Sem nunca referir a solução do Montijo, Huillar revela ainda: “começámos a discussão com o nosso senhorio, o Governo, e temos tempo”, acrescentou o responsável, sem querer adiantar “mais nada” sobre estas conversações. Questionado sobre se será necessário um novo aeroporto, o responsável diz apenas que “é impossível responder a essa questão”, porque isso dependerá da evolução da taxa de crescimento e da capacidade de “encontrar maneiras criativas de receber todos”.

Estas declarações contrastam com a aparente certeza do secretário de Estado dos Transportes sobre o tema. Em entrevista ao Expresso, no final de julho, Sérgio Monteiro, dizia que Portugal não iria necessitar de um novo aeroporto durante os próximos 50 anos.   

Novo aeroprto, novas taxas

Ainda sobre o cenário de construção de um novo aeroporto para Lisboa, Xavier Huillard, deixou a indicação de que se tal acontecer, as taxas aeroportuárias terão de ser repensadas. O contrato de concessão prevê um aumento das taxas aeroportuárias em Lisboa, em caso de crescimento do tráfego, o que tem acontecido.

Já a construção do novo aeroporto está apenas prevista como possibilidade, que deverá começar a ser discutida quando o tráfego da Portela atingir um determinado patamar. Se não houver acordo sobre o tema, o Estado pode resgatar a concessão do aeroporto de Lisboa. Mas essa não parece ser uma hipótese encarada pela Vinci.

Huillard descreveu o investimento da grupo em Portugal como um “casamento”, numa referência ao contrato de concessão da gestão dos aeroportos que tem a duração de 50 anos. “A partir do primeiro dia em que decidimos que vamos ficar juntos para os próximos 50 anos, quando surge uma dificuldade encontram-se maneiras de lidar com essa dificuldade”, afirmou o presidente do grupo francês.

Portugal, realçou ainda Huillard, é claramente um dos grandes destinos para os cidadãos europeus que querem viajar para fora do seu país, provavelmente por causa do aumento da insegurança em outros países. Não obstante, reconhece que houve um pequeno recuo no número de passageiros vindos do Brasil, país que está a atravessar uma recessão.

Atualizado com mais declarações do presidente executivo da Vinci sobre o novo aeroporto