Hedy Lamarr ficou conhecida na história do cinema como a Ecstasy Girl. Porquê? Porque foi a primeira atriz a interpretar um orgasmo num filme não pornográfico, em 1933, conta a revista Time. Oito décadas separam o filme checo Ecstasy do recente Fifty Shades of Grey e a verdade é que a interpretação da atriz Hedy Lamarr nos anos 30 foi marcante e sobretudo audaz — catapultou-a para o estrelato internacional.

Antes do filme, Hedy Lamarr era Hedy Kiesler, mas o impacto do papel que interpretou levou-a a trocar de apelido. Em Ecstasy, interpreta a personagem Eva, uma jovem mulher que estava casada com um homem mais velho, que era também impotente. A determinada altura do filme, Eva nadava nua num lago quando o cavalo que a trouxe até ali fugiu e lhe roubou as roupas.

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A jovem corre nua pelos campos atrás do cavalo, protagonizando uma cena de nudez que nos anos 30 era considerada irreverente. Mas o filme não se ficou apenas pela nudez e colocou a atriz a interpretar o primeiro orgasmo feminino da história do cinema — ainda por cima, na cena envolve-se com um homem mais novo, trazendo para a trama mais um assunto polémico, o adultério.

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Na altura, esta passagem do filme chocou e dividiu as audiências. Mas hoje não provocaria qualquer tipo de polémica. Nela, apenas é filmado, de vários ângulos, o rosto da jovem, que termina a cena fumando um cigarro.

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No festival internacional de Veneza, o filme foi recebido com entusiasmo. Mas nem todos gostaram. A Time conta que o Papa denunciou a cena no jornal do Vaticano. O marido de Hedy Lamarr quis queimar todas as cópias e nos Estados Unidos o filme só foi exibido sete anos depois, ainda assim num número limitado de salas. Foi para os EUA que Hedy acabou por ir, fugindo do seu marido, um homem tido como controlador.

A atriz austríaca foi pioneira na exposição da sexualidade feminina. A Time conta que, mais tarde, Hedy veio dizer que na altura do filme era apenas uma jovem com 18 anos e que a inexperiência a levou a entregar-se ao papel sem medir muito bem as consequências disso. A personagem seguiu-a durante anos e acabou por rotular a sua imagem.

Tratava-se de uma injustiça. Hedy Lamarr era inteligentíssima: inventou e patenteou, com a ajuda de George Antheil, um dispositivo que conseguia alterar as frequências dos sinais de rádio, uma espécie de sistema de comunicações secreto que impedia os inimigos de descodificarem mensagens durante a Segunda Guerra Mundial. Não chegou a ser utilizado nessa altura, mas tornou-se num passo importante no que diz respeito ao desenvolvimento da tecnologia. Só em 1997 é que Lamarr e o seu parceiro receberam o prémio pioneiro da Eletronic Frontier Foundation.

A atriz, que morreu em 2000 com 85 anos, abriu o caminho para o cinema moderno, que depois daquela cena inicial foi inundado com vários filmes e interpretações de orgasmos femininos. Reunimos cinco filmes que marcam as interpretações de orgasmos femininos no cinema. Veja quais são.

Meg Ryan em “When Harry Met Sally” (“Um Amor Inevitável”)

Um filme dos anos 80 que se baseia no amor entre dois amigos que desde o primeiro momento se sentiram atraídos um pelo outro. A interpretação da atriz Meg Ryan, neste caso de um falso orgasmo, num restaurante, é uma das mais famosas do cinema.

Jennifer Aniston em “Bruce Almighty” (“Bruce – O Todo Poderoso”)

Deus concedeu a Bruce super poderes para que ele soubesse como é difícil governar o mundo. O que é que Bruce fez? Provocou um orgasmo à distância a Grace Connelly, o papel interpretado por Jennifer Aniston, que experimentou um verdadeiro orgasmo divino. É um filme de 2003.

Katherine Heigl em “The Ugly Truth” (“A verdade nua e crua”)

Outra cena de orgasmo, mais uma vez num restaurante. A personagem Abby, interpretada por Katherine Heigl, decide levar para o jantar umas cuecas que funcionam como um vibrador. Esta é uma comédia romântica de 2009.

Jane Fonda em “Barbarella”

Trata-se de uma comédia erótica dos anos 60 em que Jane Fonda interpreta o papel da sensual astronauta Barbarella, carregada de simbolismo sexual. Na sua busca por capturar o criminoso Durand Durand, experimenta a Máquina Excessiva, que matava as pessoas com um orgasmo.

https://www.youtube.com/watch?v=6UoHkiBRxBo

Dakota Johnson em “The Fifty Shades of Grey” (“As 50 sombras de Grey”)

No filme, baseado no bestseller de E.L. James, a atriz Dakota Johnson interpreta o papel de uma jovem que aceita participar nas práticas sadomasoquistas de Christian Grey.