Uma investigação da Universidade Trinity de Dublin e de uma equipa de arqueólogos da Universidade de Belfast, publicada no jornal PNAS, ao ADN revelou que os primeiros agricultores irlandeses eram semelhantes aos europeus do sul do continente. Ou seja, os padrões genéticos destas populações sofreram uma alteração brusca por altura da Idade do Bronze, época em que muitos europeus da periferia ocidental chegavam e se estabilizavam na região junto ao Atlântico, conta a BBC.

Para se chegar a estes resultados, a equipa sequenciou os genes de uma agricultora do período do Neolítico, com 5.2 mil anos, e três homens da Idade do Bronze, com cerca de 4 mil anos.

Apesar de tudo, a doutrina ainda se divide no que respeita às mudanças verificadas nas ilhas britânicas. Ou seja, uns dizem que o estilo de vida baseado na caça passou para um com base na agricultura e, mais tarde, para a utilização de pedra e metal. Outros dizem que se verificou simplesmente uma adaptação dos povos indígenas às migrações de populações de outros pontos do continente.

Mas estes genes dos primórdios dos irlandeses atuais provam agora a existência de enormes fluxos de migrações para essas regiões. Em concreto, as análises feitas à agricultora com mais de 5 mil anos de idade com origens perto de Belfast, mostram que era semelhante às populações contemporâneas de Espanha e Sardenha. No entanto, e como diz a BBC, os seus antepassados terão chegado do Médio Oriente, zona onde a agricultura foi inventada.

Por outro lado, os homens, originários da Ilha Rathlin na Irlanda do Norte, e que viveram pouco tempo depois da introdução do metal, revelaram padrões diferentes: um terço dos seus antepassados chegaram da região que hoje engloba a Rússia e a Ucrânia.

Tudo isto faz com que o geneticista que conduziu o estudo, Dan Bradley, afirme ao mesmo canal que “houve uma grande mudança genética que varreu a Europa até acima do Mar Negro. Sabemos agora que percorreu todo o caminho até às ilhas mais ocidentais”. Ou seja, “este grau de alterações genéticas remete para a possibilidade de outras mudanças associadas, talvez mesmo à introdução da linguagem ancestral nas línguas celtas ocidentais”.

Tudo isto porque o grupo de homens revelou uma semelhança genética mais aproximada aos irlandeses, escoceses e galeses modernos do que a mulher agricultora.