A Deloitte estudou os censos britânicos desde 1871 e concluiu que a tecnologia tem ajudado a criar mais empregos do que aqueles que destrói, conta o The Guardian. Os efeitos da tecnologia no mercado de trabalho têm sido tema de discussão, com o Fórum Económico Mundial a estimar que a quarta revolução industrial (a digital) possa destruir cinco milhões de empregos nos próximos cinco anos.

Quando a Deloitte olhou para o passado, a conclusão foi outra: “A tecnologia tem sido uma grande máquina de criação de empregos”, segundo os autores Ian Stewart, Debrapratim De e Alex Cole. Os 140 anos de estudo incluiram dados dos censos de Inglaterra e do País de Gales.

“A tendência dominante é a de que a contratação de trabalhadores na agricultura e na manufaturação tem sido mais do que compensada pelo rápido crescimento dos negócios nos setores dos serviços, criativos e tecnológicos”, escrevem os autores, acrescentando que as máquinas passaram a assegurar tarefas mais repetitivas e trabalhosas, mas não estiveram, “em nenhum momento dos últimos 50 anos, perto de eliminar a necessidade do trabalho humano”.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística britânico, entre 1992 e 2014, o número de auxiliares de enfermagem no Reino Unido aumentou 909% – passou de 29.743 para 300.201. Nesse período de tempo, o número de auxiliares de educação também aumentou 580%, o de assistentes sociais subiu 83% e o de prestadores de cuidados doméstico 168%.

Também nessas duas décadas, o número de tecelões desceu 79%, o de datilógrafos caiu 57% e o de secretárias administrativas caiu 50%. Diz o estudo que em setores como o da medicina, educação e serviços profissionais, a tecnologia aumentou a produtividade e o emprego, ao mesmo tempo.

“O acesso mais fácil à informação e o ritmo mais acelerado da comunicação revolucionaram a maioria das indústrias baseadas no conhecimento”, dizem os autores. Se em 1871, por exemplo, havia 9.832 contabilistas em Inglaterra e no País de Gales, em 140 anos passaram a ser 215.678.

Os autores defendem que o progresso tecnológico ajudou a baixar os preços de bens essenciais, como a alimentação, mas também dos eletrodomésticos ou carros (que caíram para metade nos últimos 25 anos) e que isto levou as pessoas a gastar mais dinheiro em atividades de lazer – o que acabou por criar novas exigências e novos postos de trabalho. O número de pessoas que os bares empregam, por exemplo, quadruplicou, entre 1951 e 2011.

Para ilustrar este aspeto, recorrem a mais um exemplo: o dos cabeleireiros. Os autores acreditam que o aumento dos rendimentos das pessoas permitiu que passassem a gastar mais em serviços pessoais – como o de cabeleireiro. Se em 1871, existia um salão para cerca de 1.793 cidadãos de Inglaterra e do País de Gales, hoje existe 1 para cada 287 pessoas.