(Notícia atualizada às 20h20)

Raul Schmidt Felippe Junior, suspeito na operação Lava Jato detido esta segunda-feira em Lisboa, teria centenas de obras de arte valiosas em casa, avança o Público. As pinturas e estatuetas terão sido apreendidas pela Polícia Judiciária (PJ). O empresário e sócio de um antigo diretor da Petrobras foi detido pela PJ.

Schmidt estava em fuga do Brasil desde julho e estava “verdadeiramente escondido” num apartamento de luxo no centro de Lisboa, apurou o Observador junto de fonte policial. O suspeito deverá ser esta tarde presente ao Tribunal da Relação de Lisboa com vista a ser extraditado.

O detido foi investigado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal do Brasil por ter agido como intermediário de operações da Petrobras que levaram ao recebimento indevido de comissões no valor de vários milhões de reais informa a polícia de investigação portuguesa.

Raul Schmidt é também colecionador de arte. Aqui, apresenta o seu trabalho na área no canal de YouTube do Victoria & Albert Museum, de Londres:

A detenção, avança a Globo citando um comunicado do Ministério Público Federal, foi feita no cumprimento de uma carta rogatória emitida pelas autoridades brasileiras. “Uma investigação complexa e difícil”, segundo fonte da PJ ao Observador, que culminou na detenção do suspeito num apartamento avaliado em cerca de 3 milhões de euros. A operação contou com a participação de um procurador do Ministério Público brasileiro, uma procuradora portuguesa e um juiz português – assim como 14 elementos da Polícia Judiciária portuguesa e dois da Polícia Federal brasileira, como avançou a Polícia Judiciária em comunicado.

Trata-se da primeira operação internacional realizada no âmbito do caso Lava Jato. De acordo com comunicado emitido pela Procuradoria da República no Estado do Paraná, Schmidt é investigado pelo pagamento de luvas aos ex-diretores da Petrobras Renato de Souza Duque, Nestor Cerveró e ao seu sócio numa outra empresa, Jorge Luiz Zelada.

Raul Schmidt terá ainda facilitado a obtenção de contratos de exploração de plataformas daquela petrolífera a empresas internacionais. Brasileiro mas com dupla nacionalidade portuguesa, Schmidt vivia em Londres onde mantinha uma galeria de arte, tendo-se mudado para Portugal pouco depois do início da operação.

Segundo o comunicado do Ministério Público português, esta operação surge no pedido de colaboração feito pelas autoridades brasileiras no âmbito da Operação Lava Jato.

“A Procuradoria-Geral da República já recebeu, das autoridades brasileiras, três cartas rogatórias relacionadas com esta matéria. Uma já foi devolvida. As restantes encontram-se em execução”, refere o comunicado.

Uma das cartas rogatórias – o documento através do qual as autoridades de outro país solicitam e delegam nas autoridades portuguesas diligências de uma investigação – foi enviada em julho de 2015 e visava obter informações sobre um dos suspeitos investigados, o responsável máximo pela Diretoria de Serviços da Petrobrás Renato Duque.

Tal como o Observador noticiou, a carta rogatória visava identificar e apreender documentação, bloquear valores monetários depositados numa conta bancária do BANIF em nome de uma sociedade offshore chamada Kingstall Financial e repatriá-los para o Brasil. O Ministério Público brasileiro pretendia ainda confirmar o circuito do dinheiro que tinha tido origem numa offshore de Antígua e Barracuda (ilha do mar das Caraíbas), passando pelo Mónaco e por Portugal.

Quem é Raul Schmidt?

Raul Schmidt apresenta-se como empresário e gestor com 25 anos de experiência na indústria do petróleo. Começou na Petrobras, onde esteve 13 anos, mas no seu currículo tem serviço prestado em empresas como a TVP Solar, a Sevan Marine e a InterOil. No processo Lava Jato é investigado pela sua ligação ao arguido Jorge Zelada, ex-diretor da área internacional da Petrobras, e de quem é sócio na TVP Solar.

Foi em julho de 2015, quando Jorge Zelada foi detido, que Raul Schmidt terá abandonado o país. O juiz responsável pela operação “Lava Jato”, Sérgio Moro, congelou-lhe ativos no valor de 1, 7 milhões de euros por suspeitas de lavagem do dinheiro desviado da empresa pública Petrobas – no centro da operação.

O agora detido pela PJ portuguesa é suspeito do pagamento de luvas aos responsáveis pela Petrobras para conseguir vários contratos com as empresas a que se encontra ligado. Segundo o Ministério Público brasileiro, há contratos de comissionamento suspeitos – que geraram valores pagos através de offshores – com a empresa Sevan Marine e com a SAMSUNG, estaleiro responsável pela construção dos navios sonda Petrobas.

“Dessa forma, há indicativos de que a parceria entre Raul Schmidt Felippe e Jorge Luiz Zelada é utilizada para lavagem de dinheiro obtido ilicitamente por intermédio de contratos com a Petrobras”, refere o Ministério Público, no pedido de prisão preventiva de Jorge Zelada enviado ao juiz titular do processo em junho de 2015.

Nesta altura, o advogado de Raul Schmidt enviou à comunicação social um comunicado a esclarecer as ligações do empresário aos arguidos da Lava Jato, que terá conhecido quando trabalhou na Petrobras. Leonardo Muniz informou que Schmidt “não atua no setor petrolífero desde 2007”, sendo sócio da TVP Solar, do setor da energia solar – uma empresa com sede na Suíça e fábrica em Itália. Tem ainda funções em várias start ups da área da tecnologia de ponta “principalmente em empresas ligadas a energias limpas”.

O advogado afirma que a única relação comercial mantida pelo cliente com Zelada “se dá na TVP Solar”. O empresário afirma ser cofundador da norueguesa Sevan Marine e que mora há 10 anos fora do Brasil.