Arte Urbana

Lisboa vai ser invadida por posters

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POSTER é uma mostra de arte pública que vai pôr artistas, designers, arquitetos, escritores e músicos a desenhar cartazes, de José Luís Peixoto a The Legendary Tigerman. Nas ruas de Marvila em junho

Autor
  • Clara Silva

Já se sabe que Marvila está na moda e o “El País” até lhe dedicou um artigo no fim do ano passado em que lhe chamava “o bairro secreto de Lisboa”. O bairro cada vez menos secreto de Lisboa, dizemos nós. A zona de Xabregas está a ganhar vida e aos poucos vai ganhando cor e perdendo o ar de zona industrial abandonada.

Prova disso é a nova mostra de arte pública POSTER, uma iniciativa do projeto “amplificador de cultura” Departamento, que quer transformar a Rua do Açúcar e arredores numa “galeria a céu aberto”, diz o organizador, o designer gráfico Bruno Pereira.

Um apaixonado por cartazes desde miúdo, “grande fã dos cartazes do Circo Chen”, confessa, Bruno teve a ideia de criar uma mostra de arte pública “em que o poster fosse o formato que absorvia as várias formas de comunicação”, explica.

Sempre achei que era um formato super nobre devido à sua dimensão, principalmente para poderes comunicar livremente na rua. Historicamente o poster foi o primeiro formato que conseguiu unir a arte e a publicidade e a partir daí tem servido para vender ideais, para vender marcas, para vender statements. Ainda há pouco tivemos a eleição do Obama com um poster do Shepard Fairey que marcou a campanha.”

Em Lisboa, entre 16 e 19 de Junho, o POSTER não quer só mostrar o trabalho de ateliês e artistas que já estão habituados a fazê-lo. “Não quisemos fechar esse formato apenas a designers e achámos interessante abranger esta mostra a arquitetos, escritores, artistas plásticos, tipógrafos, etc. Alguns que se vão sentir muito à vontade neste meio, outros para os quais isso vai ser um desafio. Imagino um arquiteto que trabalha em 3D passar para 2D…”

“Uma mostra pública de arte e da palavra” que não quer deixar ninguém de fora. Escritores como Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto e Afonso Cruz estão entre os 20 convocados. Mas também o músico The Legendary Tigerman ou o arquiteto Pedro Campos Costa, responsável pela extensão do Oceanário de Lisboa. Já habituada a estas andanças está Wasted Rita, que viu os seus cartazes nas paredes da Dismaland, o parque temático de Banksy, e o também batido nestas coisas ateliê R2, do Porto.

O trabalho do já falecido fotógrafo Eduardo Harrington Sena e de artistas plásticos como João Pedro Vale & Nuno A. Ferreira e Paulo Brighenti desta vez não vão poder ser admirados dentro de quatro paredes, mas sim em plena rua. “O objetivo é tornar a arte mais saudável, sem estar encriptada em espaços fechados”, continua Bruno. “Poder levar uma peça do Paulo Brighenti para a rua, para toda a gente ver, sem termos que ir a uma galeria.”

A zona de Xabregas, onde as galerias têm brotado como cogumelos nos últimos tempos, não foi escolhida ao acaso:

É uma zona despojada, abandonada há muito tempo, mas que está a ser ocupada por novos criativos, artistas e ateliês de design e que vai ter um dos maiores espaços de cowork da Europa”, diz o designer. “A massa criativa está a ir para aquela zona e acredito que daqui a cinco anos se tornará um dos polos criativos da cidade.”

Enfim, uma “boa e pacífica invasão de cultura”, conclui, que chega também às escolas do Beato e de Marvila. Antes da mostra vão acontecer workshops de criação de posters com os miúdos e com um dos artistas envolvidos no projeto. Depois disso, os cartazes vão ser colados nas paredes, ao lado dos outros de grandes nome, como o do norte-americano Craig Atkinson, reconhecido pela Tate Gallery e pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, por exemplo.

Para quem está com inveja e quer ver o próprio cartaz colado nas paredes da cidade, não precisa de misturar água, farinha e vinagre para fazer cola e gastar tinta da impressora do trabalho. O POSTER tem uma open-call a decorrer e aceita propostas de cartazes de desconhecidos.

Há cinco vagas, não é preciso ter formação artística e o tema é livre. Já se sabe, claro, que não vale publicitar eventos, como a maior parte dos cartazes que encontramos por aí. “Hoje em dia é essa vertente de anunciar espetáculos que vemos mais na cidade”, continua Bruno. “O que é super redutor em relação à capacidade de comunicação que o poster tem.”

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