(Artigo atualizado às 12:23 com a Sartorial a garantir que nunca teve ligações a Isabel dos Santos)

Isabel dos Santos terá solicitado uma conta offshore ao gestor de fortunas português Jorge Humberto Cunha Ferreira, quadro do Banco Internacional do Luxemburgo. É o próprio quem o conta aos jornalistas do Expresso e da TVI que fazem parte do consórcio de jornalistas internacionais que investiga o caso Panama Papers.

Jorge Cunha, contam os jornalistas que se encontraram com ele, começou por negar ter clientes PEP (pessoas politicamente expostas), entre os quais estariam ex-ministros e políticos portugueses. E até começou por negar ter alguma vez criado companhias offshore no Panamá e nas Seychelles, acabando mais tarde por admitir que, afinal, uma dessas contas é dele próprio. Para demonstrar que o Banco Internacional do Luxemburgo (BIL) não trabalha com políticos nem com os seus familiares, revelou aos jornalistas que teve uma reunião em Lisboa com um gestor próximo da empresária angolana, tendo recusado abrir uma conta em seu nome no BIL.

“Cheguei a ter uma reunião em Lisboa com um gestor próximo da empresária, Mário Leite da Silva, e com um gestor da Sartorial Asset Management, mas a verdade é que o departamento de compliance do banco chumbou a hipótese de podermos abrir uma conta em nome dela”, contou o gestor de contas português, citado pelo Expresso e pela TVI. Jorge Cunha faz depois a ligação ao próprio José Eduardo dos Santos, dizendo que o Banco Internacional do Luxemburgo chegou a ter uma conta em nome do presidente angolano que “teve de ser fechada” por “pressões” ligadas ao branqueamento de capitais.

O português revela ainda ao Expresso e à TVI que a Sartorial teria como principal cliente Isabel dos Santos. E que se trata de uma empresa gestora de fortunas com sede em Lisboa e no Porto. A empresária negou ao Expresso, através do seu representante, “qualquer relação com a empresa e o banco”.

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A Sartorial também rejeita qualquer ligação a Isabel dos Santos. Numa nota enviado ao Observador, a empresa garante que não tem, nem nunca teve Isabel dos Santos como sua cliente, ao contrário do invocado pelo gestor de fortunas: “A Sartorial foi noticiada por referência incidental de terceiros como tendo como sua maior cliente a senhora D. Isabel dos Santos. A referida senhora não consta como sendo ou alguma vez tendo sido cliente da sociedade”, garante a empresa.