A greve dos enfermeiros no Algarve, que arrancou esta quinta-feira meia-noite, está a afetar os serviços de saúde públicos na região, com percentagens de adesão diversas, mas sempre superiores aos 60% segundo os dados do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

O representante do SEP no Algarve, Nuno Manjua, contou que, no turno da manhã, o hospital de Portimão teve uma greve de 94% dos enfermeiros enquanto no hospital de Faro a adesão é de 68% e no hospital de Lagos registou-se 62% de enfermeiros que aderiram à greve.

No Hospital de Faro, a Lusa confirmou que a consulta externa de pediatria está sem enfermeiros. Nos serviços de cuidados de saúde primários destacam-se as unidades de saúde familiares de Vila Real de Santo António, Loulé e Almancil, onde a adesão foi total, enquanto em Vila do Bispo a adesão andou na ordem dos 60%, em Silves 71% e em Albufeira 75%.

A greve abrange ainda os trabalhadores da Função Pública que estão nos serviços de saúde públicos. Rosa Franco, do Sindicato da Função Pública do Sul explicou que a adesão à greve, por parte destes profissionais, ronda os 70 a 75% no turno da manhã, no Centro Hospitalar do Algarve e nos restantes serviços de saúde públicos da região.

Os enfermeiros dos distritos do Algarve, Castelo Branco, Minho e Santarém cumprem hoje o primeiro de dois dias de greve convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portuguesa (SEP), no mesmo dia em que mais trabalhadores da saúde também estão em protesto.

Inicialmente nacional, o primeiro dia desta greve foi transformada em greve territorial de enfermeiros, tendo em conta o facto de o Ministério da Saúde ter recuado na intenção de “eliminar a autonomia que os enfermeiros conquistaram nas últimas décadas”, através da legislação sobre os atos profissionais, segundo o dirigente do SEP, José Carlos Martins.

A greve nacional marcada para sexta-feira mantém-se, uma vez que prosseguem os seus motivos, como “a aplicação das 35 horas aos enfermeiros com Contratos Individuais de Trabalho, a reposição do valor integral das horas de qualidade extraordinárias, a admissão de enfermeiros e o pagamento das horas extraordinárias”.

José Carlos Martins lamentou que, desde o aviso da greve, e “a propósito das pressões e das sanções europeias, os ministérios da Saúde e das Finanças tenham retirado das negociações a aplicação das 35 horas aos CIT”.