Cerca de mil pessoas concentraram-se em Bogotá, na noite de quarta-feira, para celebrar o histórico acordo de paz alcançado entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias Armadas da Colômbia (FARC), ao fim de quase quatro anos de negociações.

Mal apareceu num ecrã gigante, instalado no Parque dos Hippies, da capital colombiana, a imagem dos negociadores a rubricarem o acordo de paz, uma multidão gritou, com júbilo, “sim, podemos”.

O Governo colombiano e as FARC anunciaram na quarta-feira um acordo de paz sem precedentes, depois de quatro anos de duras negociações em Cuba, que visa pôr termo a mais de meio século de conflito armado.

Os termos do acordo definitivo de paz vão ser referendados, num plebiscito marcado para 02 de outubro, segundo anunciou o Presidente da Colômbia num discurso à nação.

Antes da alocução de Juan Manuel Santos, os colombianos começaram a cantar em coro o hino nacional naquele que foi um dos momentos mais emotivos da noite, com lágrimas, abraços e aplausos, segundo descreve a agência Efe, que deu conta que a concentração reuniu pessoas de diferentes formações políticas.

“Parecia demorar muito e realmente chegou o dia. Recebemos [a notícia do acordo] com emoção. Sinto que toda a Colômbia compreende a responsabilidade que tem no referendo”, disse o ex-candidato presidencial e ex-autarca de Bogotá, Antanas Mockus, à agência noticiosa espanhola.

O político, um dos mais acérrimos defensores do processo de paz, foi um dos cidadãos que respondeu à chamada de várias organizações para que se concentrassem naquele parque situado no bairro tradicional de Chapinero.

A guerra, que começou em 1964, é o último grande conflito armado nas Américas e provocou a morte a 260.000 pessoas, deslocou 6,8 milhões e deixou 45.000 desaparecidos.