O grupo financeiro holandês ING vai despedir 7.000 empregados, a maioria na Bélgica e na Holanda, no âmbito do plano para poupar 900 milhões de euros por ano até 2021, anunciou a empresa em comunicado.

“Enquanto ainda não acabámos todos os planos que apresentámos hoje, esperamos que as iniciativas resultem numa redução de cerca de 3.500 empregos a tempo completo na Bélgica e cerca de 2.300 na Holanda entre 2016 e 2021”, indicou o presidente executivo do ING, Ralph Hamers, antes de apresentar os planos da instituição numa reunião de investidores em Amesterdão.

Hamers, Chief Executive Officer (CEO) do ING, afirmou que, “por desgraça, os passos anunciados hoje significarão que um número importante de colegas terá que deixar o ING”, e assegurou que a empresa “fará tudo o que puder para ajudar” a que se encontrem novas oportunidades de trabalho.

No passado dia 29 de steembro, a imprensa belga avançava que na Bélgica seriam reduzidos 4.000 postos de trabalho.

Paralelamente, o ING anunciou que vai investir 800 milhões de euros até 2021 na transformação digital, centrada no crescimento comercial, na melhoria da experiência dos clientes na ‘Web’ e na disponibilização de novos produtos.

Hamers indicou que desde que o ING começou a estratégia de renovação em 2014 atraiu mais de três milhões de novos clientes, concedeu cerca de 56.000 milhões de euros e reforçou o capital.

Entre os planos da entidade, Hamers destaca uma plataforma expansível para as empresas que desenvolverá inicialmente em Espanha, Itália, França, República Checa e Áustria, enquanto na Alemanha reforçará a plataforma de banca digital.

O CEO do ING na Bélgica, Rik Vandenberghe, indicou numa comunicação pessoal da sucursal belga que a redução de empregos no país será feita em grande medida através de saídas “naturais” e, por isso, os despedimentos atingirão “no máximo 1.700 pessoas”.

Por outro lado, o secretário do sindicato responsável pelo setor financeiro em Bruxelas (SETCa) afirmou que “tal ausência de concertação é inadmissível”, adiantando que os membros do sindicato “vão reunir uma frente comum para decidir que ações vão realizar”.

Na opinião do representante nacional da Central Nacional de Trabalhadores (CNE), Geoffrey Hantsot, “todos os serviços do banco vão ser afetados por esta reestruturação”.

O presidente do Partido Socialista francófono na Bélgica, Elio Di Rupo, denunciou num comunicado que, depois dos casos da Caterpillar e da Axa no país, “de novo uma empresa que tem lucros, mas não suficientes segundo os acionistas, despede trabalhadores”.

Rupo expressou ainda solidariedade aos empregados que serão despedidos e sublinhou que nos últimos dez anos a sucursal do ING na Bélgica proporcionou 7.200 milhões de euros em dividendos à casa mãe na Holanda.