O Ministério Público de Cabo Verde entregou em tribunal um pedido para confiscar o dinheiro que o empresário português José Veiga tem no país, onde é investigado desde 2015 por suspeitas de lavagem de capitais.

“O Ministério Público deu entrada no tribunal da comarca da Praia do pedido de confisco de todos os bens que estavam congelados e o processo decorre a sua tramitação normal”, disse à agência Lusa o procurador-geral da República cabo-verdiano, Óscar Tavares.

O pedido foi entregue na semana passada, dentro do prazo limite que era 15 de outubro.

“São dinheiros que estavam apreendidos e congelados, depositados em contas bancárias em Cabo Verde”, disse o magistrado, que não adiantou valores.

O antigo empresário de futebol tentou criar um banco em Cabo Verde e posteriormente comprar o Banco Internacional de Cabo Verde, (ex-banco Espírito Santo de Cabo Verde) operações que foram chumbadas quer pelo Banco de Portugal quer pelo Banco de Cabo Verde.

Desde 2015, corre no país uma investigação a José Veiga por suspeitas de utilização do sistema cabo-verdiano para eventuais crimes de lavagem de capitais, num processo autónomo da investigação sobre ao empresário em Portugal.

José Veiga está em prisão preventiva desde fevereiro no âmbito da operação “Rota do Atlântico”, que investiga suspeitas de crimes de corrupção, tráfico de influências e participação em negócio, entre outros ilícitos.

Antes de ser detido, José Veiga tinha entregado um pedido de autorização ao banco central de Cabo Verde para a abertura de um banco e, posteriormente, apresentado um proposta de compra do Banco Internacional de Cabo Verde (BICV), operações que foram chumbadas pela entidade de supervisão bancária cabo-verdiana.