Nunca. Nunca o FCP acumula cinco jogos seguidos sem ganhar em casa para a UEFA. É um facto indesmentível a servir de teste para o jogo desta quarta-feira com o Brugge, no Dragão, onde o FCP tem uma dívida com a vitória desde a época passada: 2-0 do Dínamo Kiev, 1-0 do Dortmund, 1-1 com a Roma e 1-1 com Copenhaga. Nos últimos quatro jogos, cerca de zero vitórias. Está na hora de arrepiar caminho? A avaliar pelo jogo de há 15 dias, em que o Brugge evidencia fragilidades mil e ao FCP basta-lhe jogar os últimos 20 minutos para dar a volta ao marcador (penálti de André Silva e 2-1), a alegria voltará ao Porto, onde o Brugge já tem um passado negativo.

Falamos, claro está, daquele 25 Outubro 1972. O caso Watergate ainda dá os primeiros passos e já faz as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo, inclusive os de Portugal. Nesse caso, o da ressaca europeia da 1.ª mão da 2.ª eliminatória das competições europeias, a manchete divide-se entre Watergate e UEFA. Se a Casa Branca se insurge contra as notícias do escândalo, o que dizer então da carambola de resultados dos clubes portugueses? Hum, humm? Dos quatro ainda em prova, o Benfica apanha 3-0 do Derby County em Inglaterra, a CUF perde 3-1 em casa com o Kaiserslautern, o Vitória ganha 1-0 à Fiorentina no Bonfim e o Porto dá um passo de gigante com o 3-0 ao Brugge. A noite das Antas é plácida. Um golo de Abel dá o mote. Flávio amplia a vantagem, de livre directo, e é Abel quem fixa o resultado. “Podíamos ter feito ainda o 4-0”, desabafa o treinador chileno dos portistas, Fernando Riera. “Mas tudo bem, o 3-0 é um bom resultado, ainda por cima se tivermos em conta que o Brugge é o actual líder do campeonato belga, e tenho esperança de seguir em frente.”

Esta noite, o seguir em frente é ainda uma missão impossível. Calma, é só a quarta jornada da fase de grupos e o Porto nem a começa assim tão bem, com 1-1 em casa vs. Copenhaga. E é aí que queremos chegar: esse empate é o quarto jogo seguido sem vitória no Dragão para a UEFA. O Brugge é o cliente (enfraquecido) que se segue.
Há exemplos de uma crise assim no FCP? Oh yeah, três até. O primeiro é do tempo da outra senhora, entre Setembro 1956 e Outubro 1963: Athletic Bilbao (1-2), Ruda (0-2), Dínamo Zagreb (0-0) e Atlético Madrid (0-0). Ao quinto jogo, em Setembro 1964, o Porto despacha o Lyon por três-secos, cortesia de Custódio Pinto, Carlos Baptista e Custódio Pinto.

Para encontrar um outro caso sui generis com este, temos de avançar à era António Oliveira. O Porto começa a série com Milan (1-1), ainda na fase de grupos da Liga dos Campeões 1996-97. Segue-se o United de Cantona (0-0), nos quartos-de-final. Depois o Real Madrid (0-2) e Rosenborg (1-1), já na fase de grupos 1997-98. A crise de resultados acaba em Novembro 1997, com o bis de Jardel ao Olympiacos (2-1).

Dobra-se o século e aqui vamos nós até 2013-14. É a época de Paulo Fonseca, sem qualquer vitória em casa na fase de grupos da Liga dos Campeões: Atlético Madrid (1-2), Zenit (0-1) e Austria Viena (1-1). Relegado para a Liga Europa, o Porto continua avesso à vitória vs Eintracht Frankfurt (2-2). É já com Luís Castro ao leme que se dá o golpe de autoridade no Dragão, em Março 2014, com um golo de Jackson ao Nápoles (1-0).