“Velhos são os trapos!”. Ora aqui está uma frase que pode perfeitamente ser dita por David Goodall, o cientista mais velho da Austrália. Tem 102 anos e faz questão de continuar a trabalhar naquela que é a sua paixão: a ecologia.

Goodall é investigador há 70 anos e já escreveu mais de 100 artigos sobre ecologia. Trabalha há duas décadas na Universidade Edith Cowan, na Austrália, atualmente como investigador honorário associado. Trabalha quatro dias por semana a rever artigos académicos e a orientar doutoramentos, sem receber salário. Não se importa, o trabalho é a sua vida.

Mas em agosto pediram-lhe para empacotar os pertences e passar a trabalhar a partir de casa para sua segurança: é que a viagem até ao escritório demora cerca de 90 minutos e envolve quatro a cinco mudanças de transporte. O argumento não o convenceu e muito menos lhe agradou.

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Há pouco tempo teve também de deixar o teatro face ao deterioramento da sua visão, que o impede de conduzir e de se deslocar aos ensaios, que ficam ainda mais longe do que a universidade. Tiraram-lhe o teatro, não lhe iam tirar a universidade.

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Eu prefiro estar no campus porque há outras pessoas à volta que podem ser potenciais amigos”, explicou o cientista ao The Telegraph.

Insistiu e a sua persistência foi recompensada. A universidade percebeu que tal medida o podia destruir. Assim, arranjou-se outra solução: Goodall ganhou um novo gabinete num campus da universidade mais próximo de sua casa. Pode deslocar-se a pé e ir a casa sempre que precisar. O seu cargo foi renovado por mais três anos.

Estou contente por ter encontrado uma solução que permite a David continuar a trabalhar na universidade”, disse o vice-reitor Steve Chapman à BBC.

O cientista de 102 anos ficou muito agradecido à universidade: “Espero continuar com algum trabalho útil na minha área, enquanto a minha visão o permitir“, defende Goodall. Contudo, continua a considerar toda a preocupação à volta da sua segurança desnecessária.