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Chefs

Os 10 chefs que marcaram 2016

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Dos que ganharam estrelas Michelin aos que se fizeram notar por outras razões, esta dezena de chefs deixou a sua marca no ano que agora termina. Saiba quem são e porque merecem constar desta lista.

Autor
  • Tiago Pais

Alexandre Silva

Loco (Rua dos Navegantes, 53B, Lisboa / www.loco.pt)

ALEXSILVA LOCO

(foto: © Paulo Barata)

O que fez em 2016? Não abriu um restaurante mas quase: o Loco data do final de 2015. Este foi, porém, o seu ano de afirmação como um dos mais talentosos e irreverentes chefs nacionais, demonstrando pouco ou nenhum medo de arriscar e seguir um caminho diferente, mais provocador, que o normalmente indicado pelo GPS da alta cozinha. Ganhou uma merecida estrela Michelin e, pelo meio, ainda participou no festival Gelinaz! e ensaiou, com Atsushi Tanaka, uma iniciativa que vai concretizar em 2017, recebendo, no Loco, 10 chefs convidados de todo o mundo. O primeiro, Daniel Burns (Luksus), chega já no dia 17 de janeiro.

Henrique Sá Pessoa

Alma (Rua Anchieta, 15, Lisboa / www.almalisboa.pt)

SA PESSOA ALMA2

(foto: © Nuno Correia)

O que fez em 2016? Assumiu a intenção de ganhar uma estrela Michelin no Alma, aberto em novembro de 2015, e concretizou-a logo no primeiro ano de vida do restaurante. Mostrou que, uma vez rodeado da equipa certa — e liberto da parte mais burocrática da gestão de um restaurante –, não tem como ficar a dever a outros chefs da sua geração. Em 2016 desenvolveu, também, um trabalho interessante centrado no peixe, com o menu Costa a Costa, totalmente dedicado aos produtos do mar, que foram, igualmente, o centro das apresentações que fez no Congresso dos Cozinheiros e no da cervejeira Estrela Damm.

Vítor Matos

Antiqvvm (Rua de Entre Quintas, 220, Porto / http://antiqvvm.pt)

Vítor-Matos_by-Mário-Cerdeira

(foto: © Mário Cerdeira)

O que fez em 2016? Deu continuação, no Antiqvvm, aberto no final de 2015 no Solar do Vinho do Porto, ao excelente trabalho que já tinha desenvolvido na Casa da Calçada, em Amarante. Recebeu uma estrela Michelin em novembro, dedicou-a à sua equipa e ao sonho de, como disse na altura, “construir um restaurante diferenciador no Porto”. Mas não foi tudo: em 2016 Vítor Matos levou ainda a sua cozinha, numa versão menos refinada e mais democrática, à Póvoa do Varzim, no projeto 505, onde também definiu a carta de vinhos, desenhou os pratos e, inclusive, pintou alguns dos quadros que decoram o espaço. Resumindo, foi um ano em cheio.

José Avillez

Bairro do Avillez (Rua da Nova Trindade, 18, Lisboa / www.joseavillez.pt)

Mariana Marques,

(foto: © Mariana Marques)

O que fez em 2016? A sua ideia de criar um retrato gastronómico comestível de Lisboa era antiga, e foi anunciada ao público em fevereiro. Ainda assim, o Bairro do Avillez só abriria portas passados seis meses desse anúncio. No Chiado, claro, como todos os outros restaurantes do grupo. Foi, e tem sido, um sucesso, em todas as suas vertentes, da taberna ao pátio, sendo que o espaço ainda guarda um beco que só será revelado nos próximos tempos. E 2016 trouxe outras boas notícias ao chef cascalense: o Belcanto foi considerado o melhor restaurante do mundo para a edição espanhola da revista Traveler e subiu ao 78º lugar na lista The World’s 50 Best Restaurants. Só lhe faltou mesmo chegar à terceira estrela Michelin. Talvez para o ano.

Miguel Laffan

L’And (L’And Vineyards, Montemor-o-novo / www.l-and.com)

Miguel Laffan

(foto: © Global Imagens)

O que fez em 2016? Algo muito raro entre os chefs nacionais: recuperou, em apenas um ano, a estrela Michelin que fora retirada ao L’And. E como? Aceitando as críticas que lhe tinham sido feitas pelos inspetores do guia e concentrando-se, efetivamente, no trabalho no restaurante, abdicando, pelo caminho, de alguns projetos paralelos que vinha a desenvolver desde 2015. Esse regresso à cozinha do L’And resultou em pleno e Laffan conseguiu reconquistar a dita distinção, para sua enorme alegria e alívio — às 4h30 da madrugada que antecedeu a cerimónia andava a passear no parque de estacionamento do hotel tal era a falta de sono e o excesso de nervos.

Miguel Rocha Vieira

Fortaleza do Guincho (Estrada do Guincho, Cascais / www.fortalezadoguincho.pt)

Miguel Vieira, o chef executivo da Fortaleza do Guincho, Cascais. Foto- Paulo Barata

(foto: © Paulo Barata)

O que fez em 2016? Se em 2015 voltou à sua vila-natal, Cascais, para assumir a cozinha do Fortaleza do Guincho, foi ao longo deste ano que conseguiu impor e solidificar o seu estilo no restaurante, retirando-lhe o sotaque e cozinha afrancesada que assumira desde a abertura, em 1998. Hoje, a ementa do Fortaleza do Guincho é farta em referências às memórias da cozinha tradicional e dá privilégio ao uso dos produtos locais, um percurso que se deve a Rocha Vieira e respetiva equipa. Pelo caminho, o chef conseguiu mais uma estrela Michelin, a segunda na Hungria, onde ainda mantém consultorias.

Joachim Koerper

Eleven (Rua Marquês da Fronteira, Jardim Amália Rodrigues, Lisboa / www.restauranteleven.com)

Chef Joachim Koerper

(foto: © Divulgação)

O que fez em 2016? Discretamente, o simpático chef germânico do Eleven teve um excelente ano de 2016. Ou, pelo menos, um ano bem estrelado. Não só manteve o nível (e a estrela) na sua casa lisboeta como conseguiu duas distinções importantes noutros projetos em que também está envolvido. Primeiro, no Eleven Rio, a respetiva sucursal carioca, que ganhou uma estrela Michelin em abril. Depois, no William, o restaurante do hotel Reid’s, no Funchal, onde desempenha papel de chef consultor, e que foi uma das novas distinções nacionais no Guia de 2017.

Rui Martins

RIB Beef & Wine (Pestana Vintage Porto, Praça da Ribeira, 1, Porto. facebook.com/RIBrestaurant)

RIB RUI MARTINS

(foto: © Divulgação)

O que fez em 2016? Desconhecido para muitos até este ano, o chef do RIB Beef & Wine, restaurante especializado em carne bovina que pertence ao hotel Pestana Vintage, no Porto, não só ganhou o importante concurso de Chefe Cozinheiro do Ano, como fez uma das mais interessantes apresentações do Congresso dos Cozinheiros, mostrando como se pode aproveitar uma vaca na sua totalidade, dos cortes mais premium às vísceras menos apetecíveis. Em Lisboa também se podem provar algumas das suas criações, no restaurante do recém-aberto hotel Pestana CR7. E em breve, se tudo correr como planeado, é bem possível que o conceito do RIB viaje até à capital. Aguardemos.

Ana Moura

Cave 23 (Torel Palace, Rua Câmara Pestana,23, Lisboa. http://cave23.pt/)

ANAMOURA CAVE

(foto: © Divulgação)

O que fez em 2016? Há-de ter feito, pelo menos, boa parte do caminho que a pode tornar a primeira mulher portuguesa a ganhar uma estrela Michelin. Começou discreta, na sua cave luminosa — parece um contra-senso mas não é –, junto ao Campo Mártires da Pátria, mas depressa foi amadurecendo, desenvolvendo novas ideias e pratos, a ponto de, no final do ano, não ser qualquer favor colocá-la entre os chefs em ascensão na cena nacional. E se 2016 foi bom, 2017 promete ser ainda melhor.

Kiko Martins

O Asiático (Rua da Rosa, 317, Lisboa. facebook.com/OAsiaticoChefKiko/)

Chef_Kiko HD

(foto: © Francisco Rivotti)

O que fez em 2016? Entre muitas outras coisas, fez uma ultra-maratona com mais de 100 quilómetros em Marrocos. Mas isso, para este caso, interessa pouco. Kiko marcou 2016 não só porque continua a ser um nome de referência nesta área (e A Cevicheria um dos locais de Lisboa onde é mais difícil arranjar mesa às horas de refeição), mas também porque abriu dois projetos no último ano: primeiro, A Cafetaria, um espaço interessante, na sede da EDP, com uma ementa à base de focaccias, saladas e outras sugestões leves. Depois, já em outubro, nasceu O Asiático, restaurante que, como explicou em entrevista, é uma viagem à Ásia pelos seus olhos, do Nepal ao Japão. E para 2017 já estão outros projetos na calha, nomeadamente o Watt, restaurante que também se instalará na sede da EDP, mas neste caso com outro conceito e entrada independente.

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