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Miguel Rocha Vieira e as estrelas Michelin: quando 1+1+1 não é igual a 3

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O Costes Downtown ganhou uma estrela Michelin. Miguel Rocha Vieira é o chef consultor. Mas escrever que este se torna "o primeiro chef português com três estrelas Michelin" é enganador. Saiba porquê.

Miguel Rocha Vieira fotografado perto da Fortaleza do Guincho, onde chegou no último verão.

Paulo Barata / Amuse Bouche

Autor
  • Tiago Pais

A distinção foi revelada na noite da passada terça-feira, durante o lançamento do Guia Michelin para as principais cidades europeias, o Main Cities of Europe: o Costes Downtown, em Budapeste, restaurante onde Miguel Rocha Vieira desempenha o papel de chef consultor, ganhou uma estrela Michelin, tornando-se no quinto restaurante da capital húngara com esse estatuto.

Só que a notícia — que é importante, porque valoriza o trabalho de um dos melhores chefs portugueses — tem sido divulgada em Portugal com um título que, tornando-a, sem dúvida, mais apetecível, pode levar a interpretações erradas.

Não é tecnicamente correto afirmar que Miguel Rocha Vieira tem três estrelas Michelin. Por várias razões. Primeiro, a razão técnica: as estrelas são atribuídas aos restaurantes e não aos chefs, embora, claro, dependam do trabalho destes e seja comum, apesar da regra, fazer-se a associação direta entre o profissional e o prémio.

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A forma como a notícia foi propagada em Portugal.

Depois, as três estrelas correspondem ao seguinte somatório: uma estrela no Costes, uma no Costes Downtown, ambos em Budapeste, e outra no Fortaleza do Guincho, em Cascais, onde o chef chegou no último verão. Ora precisamente por ter chegado apenas nessa altura, Miguel Rocha Vieira manteve, nos primeiros meses, a ementa do chef anterior, Vincent Farges (como explicou ao Observador em entrevista) para que o restaurante não perdesse a estrela. Assim, atribuir-lhe o galardão diretamente é ainda mais rebuscado que em condições normais.

Finalmente, a razão mais forte, que é interpretativa: as três estrelas Michelin são a distinção máxima que o guia dos pneumáticos atribui a um restaurante. Definem, segundo a publicação, uma casa de “cozinha excecional, que merece uma viagem especial”. Chegar lá é o sonho da maioria dos chefs de cozinha. Portanto, escrever-se que um chef “somou três estrelas”, “ganha a terceira estrela” ou “chegou às três estrelas” tem um impacto enorme, muito diferente do gerado por uma formulação menos sensacionalista mas mais verdadeira como “ganhou mais uma estrela”. É que no que às estrelas diz respeito, três vezes um não é três. É três vezes um. Ainda assim, parabéns Miguel.

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