O presidente romeno Klaus Iohannis Iohannis designou, esta sexta-feira, o social-democrata Sorin Grindeanu como novo primeiro-ministro, pondo fim à incerteza no país desde as eleições de 11 de dezembro. O presidente de centro-direita assinou o decreto sobre a nomeação de Gridneanu, 43 anos, ex-ministro das Comunicações, que agora tem 10 dias para obter o voto de investidura parlamentar sobre o programa e a lista de novo governo.

O chefe de Estado da Roménia rejeitou na terça-feira, sem qualquer explicação, a indigitação para primeira-ministra a candidata de esquerda do Partido Social Democrata (PSD), Sevil Shhaideh, que teria sido a primeira mulher e primeira muçulmana a liderar o governo do país.

O PSD indicou o nome de Sevil Shhaideh na sequência da vitória nas legislativas no país no passado dia 11 de dezembro.

O PSD foi o partido mais votado nas legislativas romenas com 45% dos votos, o que lhe confere a prerrogativa de indicar o nome do primeiro-ministro, para além de que goza de uma confortável maioria parlamentar resultante da coligação pós-eleitoral com a Aliança dos Liberais e Democratas, que foi ainda apoiada pela União Magiar Democrata (UDMR).

O líder do PSD, Liviu Dragnea, seria o candidato natural a primeiro-ministro, se não estivesse a cumprir uma pena suspensa de dois anos por envolvimento num caso de fraude eleitoral em 2012 relacionado com um referendo contra o antigo presidente, Traian Basescu.

A lei romena impede Dragnea de aceder à posição, ainda que fosse considerado o melhor candidato pela aliança política que dirige, facto que foi sublinhado pelo Presidente romeno na semana passada, assim como pelo próprio quando na passada quarta-feira saiu da audiência com Iohannis, em que apresentou o nome de Sevil Shhaideh para liderar o Governo.

À saída dessa audiência Dragnea afirmou que “ainda não” podia autonomear-se para primeiro-ministro, ainda que “tivesse o direito” a isso, porque é líder do partido mais votado nas legislativas.

Esta impossibilidade, precisamente, levou Dragnea a escolher Sevil Shhaideh, amiga pessoal do líder do PSD, mas apenas com a experiência política resultante de seis meses no Governo, enquanto ministra do Desenvolvimento Regional, pasta em que substituiu o próprio Dragnea quando este foi condenado por fraude eleitoral.

A vitória do PSD nas legislativas do passado dia 11 acontece cerca de um ano depois de um incidente em torno de um incêndio num clube noturno ter provocado a morte de 64 pessoas, cujas repercussões mediáticas levou à demissão do anterior primeiro-ministro, Victor Ponta.

Desde então, a Roménia tem sido conduzida por um governo de gestão, liderado por Dacian Ciolos, 47 anos, antigo comissário europeu.