A European Innovation Academy (EIA), a associação para a promoção do empreendedorismo Beta-i, o banco Santander, a Câmara Municipal de Cascais e a Universidade Nova de Lisboa, juntaram-se para trazer, pela primeira vez a Portugal, o maior programa universitário de aceleração em inovação digital na Europa. Objetivo? Mudar a mentalidade dos estudantes universitários e expandir os seus horizontes e competências.

Entre 16 de julho e 4 de agosto, Cascais vai acolher 300 estudantes (100 portugueses e 200 estrangeiros), de 63 países e de 40 universidades europeias, americanas e asiáticas, que terão como desafio transformar uma ideia num projeto tecnologicamente inovador em apenas três semanas. Considerando que “a inovação precisa de uma equipa”, vão ser formadas 50 equipas, que vão ser acompanhadas por 50 formadores, mentores, investidores e professores internacionais, por exemplo, das universidades de Berkeley e Stanford e da Google.

O nosso acelerador é diferente porque está focado em talento jovem, nas pessoas que vão construir as novas indústrias. O nosso programa não é só sobre levantar financiamento ou desenvolver um produto, o que é normal nos aceleradores, nós focámo-nos na comercialização das ideias”, referiu Alar Kolk, fundador da European Innovation Academy, ao Observador, esta quinta-feira na apresentação do programa.

O objetivo é criar 50 projetos, em diferentes áreas de tecnologia digital, nomeadamente dispositivos inteligentes (smart devices), big data, Internet das Coisas (IoT), impressão 3D, e aplicações móveis e web, que serão apresentados a investidores.

Queremos ideias que apontem para uma escala global desde o primeiro dia. No nosso programa não é possível desenvolver uma ideia que seja só para o mercado português. Tem de ser apresentada uma ideia que seja um produto ou serviço que possa ser explorado em Madagáscar, China, Portugal ou na América do Norte”, acrescentou Alar Kolk.

Durante as três semanas, os estudantes passarão pelas diferentes fases de criação de um produto e de uma startup: da ideia, ao desenvolvimento de protótipos, modelo de negócio, angariação de clientes e procura de financiamento.

“Não esperem resultados em pouco tempo. Isso nunca acontece”

Sobre o ecossistema de empreendedorismo português, Alar Kolk admitiu não ser “ainda o maior especialista”.

“Acho que a inovação, o empreendedorismo, é um assunto novo em Portugal. O que quero dizer é que, se pensarmos em startups e a inovação, elas estão a criar uma nova economia e a modernizar indústrias em extinção. E uma nova economia nunca pode ser criada num par de anos”, explicou.

Para o empreendedor, se Portugal continuar o caminho que tem traçado até então, em 20 anos, vai ter novas indústrias e empresas.

Não esperem resultados em pouco tempo. Isso nunca acontece. Para ter resultadas em dez, quinze anos, Portugal deve manter-se estável. Deem tempo à inovação e ao empreendedorismo, continuem a fazer o trabalho que estão a fazer e tentem manter-se o mais estável possível. O ecossistema de negócio requer uma certa estabilidade. Mudar impostos ou regulamentação muito rápido é difícil para o desenvolvimento de negócios”, considerou.

Questionado sobre se é difícil convencer grandes empresas a trabalhar com startups, Alar Kolk foi perentório: “Agora não. Startups são um assunto mainstream (popular). Estão na moda. Muitas pessoas querem criar startups, e isso já não é uma coisa embaraçosa. Em muitas culturas e sociedades, há vinte anos, ser empreendedor era embaraçoso. Agora, estamos numa situação completamente diferente”.

Uma diferença que se prende com a acessibilidade (e o custo) da tecnologia.

Há 60 anos, na NASA, era muito embaraçoso trabalhar no departamento de software. A maioria das pessoas construía hardware, foguetões, e um departamento muito pequeno desenvolvia software. Agora é completamente diferente. Usar tecnologia para construir novos produtos e serviços custa quase nada. Há 60 anos, custaria 100 millhões de dólares. Agora a tecnologia é tão acessível que qualquer um pode começar a competir com outra empresa”, lembrou.

Mas é preciso “educação, competências e mentalidade” para trabalhar com startups e tirar partido dessa colaboração, observou Alar Kolk.

Esta “academia de verão” será a primeira das cinco edições previstas no acordo entre a Beta-i e a European Innovation Academy e vai decorrer no Centro de Congressos do Estoril. Nos próximos anos irá funcionar nas novas instalações da Nova School of Business & Economics (SBE), no novo campus de Carcavelos.

Até 31 de março, as inscrições têm o custo de 1.499 euros. O preço sobe depois para 1.699 euros até 30 de abril.