Rui Maia é um músico e compositor com várias camadas. Vai do indie rock à eletrónica e o lugar de teclista dos X-Wife é apenas uma das faces do artista. Até porque a solo a máscara é outra.

Foi com a assinatura Mirror People que Rui Maia se lançou mais a fundo na música de dança. A queda (no bom sentido) continua com o segundo álbum, editado esta sexta-feira. Bring The Light segue a linha dance/disco de Voyager (2015) mas tem mais arestas, é pontiagudo e duro.

Artwork por MARLENE

Bring The Light, de Mirror People (Belong Records, 2017)

Não vai tão longe como em Fractured Music (2016), disco em nome próprio (lá está, mais uma camada) onde entra mais a fundo na eletrónica de dança. Feito o balanço, Bring The Light está algures entre a pop do álbum de estreia e esse trabalho a solo. Tem nas miudezas da produção e na batida algo que se descobre com gosto, mas exige tempo e atenção aos detalhes.

Talvez o hábito de ouvir música assim já se tenha perdido. É o próprio Rui Maia que o sugere, por outras palavras: o novo álbum tem “uma sonoridade mais sintética e forte que remete para o lado mais alternativo dos anos 80, sem perder o sentido pop das canções”.

Por isso escolheu os sintetizadores desse tempo (não usou a bateria acústica, por exemplo) e convidou Jonny Abbey para escrever as letras e para fazer a mistura sonora, à procura da proximidade que se perdeu no mundo cada vez mais virtual.

https://www.youtube.com/watch?v=iNs3m51v2oA

Bring The Light continua a ser pop para dançar, mas é mais difícil que Voyager. O single “In Your Eyes” é o mais polido, tudo o resto pede pista de dança, copos e suor. Exceção feita para o arranque, uma introdução que inclui natureza e passarinhos. Bring The Light é um disco para a noite que começa pelo fim, pela serenidade do amanhecer. Venha mais luz.