Ciência

Os cientistas avisam: a sexta grande extinção em massa está aí

202

Três cientistas divulgaram um estudo que reabre a discussão sobre as espécies em extinção (e de que maneira). De acordo com os investigadores, estamos perante uma "aniquilação biológica".

O macaco de Gibraltar está em perigo de extinção. É o único primata, além do homem, a viver livremente na Europa

FADEL SENNA/AFP/Getty Images

A Terra já passou por cinco grandes extinções em massa e a sexta acontecerá mais cedo do que se espera, garantem os cientistas por detrás de um estudo publicado pela Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos. Os autores falam de uma “aniquilação biológica” sem precedentes e com consequências mais severas do que as que eram previstas. Os cientistas analisaram tanto espécies raras como comuns e descobriram que milhares de milhões de populações locais e regionais desapareceram. Culpam a crise no crescimento descontrolado da população humana e o consumo excessivo dos recursos do planeta e deixam o aviso: temos pouco tempo para inverter esta situação. Já no passado tinham sido apresentados estudos que tentavam mostrar que as espécies se estão a extinguir a um ritmo mais acelerado do que no passado, mas ainda assim as extinções de espécies são relativamente raras, dando a impressão (a um público desinteressado) de que o declínio da biodiversidade é uma coisa gradual. Contudo, este novo estudo tem uma abordagem diferente e não se foca só nas espécies raras ou em perigo de extinção, mas sim em espécies comuns que estão a perder parcial ou totalmente o seu habitat natural. A conclusão? Um terço das espécies que está a perder o seu habitat não é considerada como “ameaçada”. Também concluíram que 50% de todos os animais (a título individual) desapareceram nos últimos 40 anos. O ritmo a que estas extinções ocorrem acompanham a tendência de crescimento da população humana.

Os registos que existem permitem saber que 80% dos mamíferos terrestres perderam o seu habitat histórico no último século. Os cientistas descobriram milhares de milhões de populações de mamíferos, aves, répteis e anfíbios que desapareceram por todo o planeta. Isto é o suficiente para afirmar que a sexta extinção em massa já está a decorrer.

A aniquilação biológica resultante [do ser humano]obviamente vai ter consequências sérias a nível ecológico, económico e social. A espécie humana vai pagar o preço por dizimar a única vida que se conhece no Universo”, conclui o estudo.

Quando se fala em culpas, os dedos apontam em uníssono para o ser humano: destruição de habitat, caça, poluição, integração de espécies alheias e aquecimento global. Mas a pior será “o crescimento desnaturado e descontrolado da população humana, o consumo excessivo”, garante Paul Ehrlich, um dos co-autores do estudo e autor do livro “A Bomba Populacional”.

Ehrlich admite falhas no “A Bomba Populacional” mas garante que teve sucesso no seu foco – alertar as pessoas para as consequências ecológicas do crescimento populacional: “Mostra-me um cientista que diga que não há problema populacional e eu mostro-te um idiota”.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Astrofísica

Buracos negros e a ciência de dados

Manuel Loureiro
100

Os métodos e os algoritmos da ciência de dados aplicados neste empreendimento fantástico são os mesmos que usamos quando pretendemos segmentar mercados, prever saldos bancários ou planear a produção.

Ciência

Carreiras e micro-ondas

Gonçalo Leite Velho
198

A verdade é que quem tem qualidade mantém todas as reservas sobre o rumo da política de Ciência em Portugal. É que o clientelismo e o nepotismo são apenas parte de um sistema mal desenhado.

Mar

Bruno Bobone: «do medo ao sucesso»

Gonçalo Magalhães Collaço

Não, Portugal não é uma «nação viciada no medo» - mas devia realmente ter «medo», muito «medo», do terrível condicionamento mental a que se encontra sujeito e que tudo vai devastadoramente degradando.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)