A polícia moçambicana em Nampula deteve 14 pessoas, incluindo um vereador e um quadro superior do MDM, suspeitos da morte de Mahamudo Amurane, disseram esta terça-feira à Lusa testemunhas, familiares e jornalistas.

Amurane foi eleito pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a edil de Nampula, a maior cidade do norte, e foi morto com três tiros a 4 de outubro nas imediações da sua residência em Cotocuane, a meio de um conflito com o partido liderado por Daviz Simango.

Inicialmente a Polícia deteve duas pessoas como declarantes: o vereador para área de mercados e feira, Saide Ali, e o empresário do setor de construção civil, Zainar Abdul Satar, que estavam com o finado durante o ataque, horas depois do assassinato, avançam os jornais locais.

O vereador foi chamado como testemunha, e agora ele e Zunair estão a ser acusados como cúmplices da morte do amigo dele, o presidente Amurane” disse à Lusa sob anonimato um parente de Saide Ali, inconformado com a situação.

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Dois dias depois do crime, a 6 de outubro, a Polícia fez outra detenção, do membro sénior do MDM, cuja identidade não foi divulgada, apurou a Lusa duma testemunha.

No dia seguinte, enquanto decorriam as cerimonias fúnebres de Amurane, a Polícia fez outras 11 detenções, todas por suspeitas na morte de Amurane, segundo escreve a edição de hoje do Wampulafax, o mais antigo diário local.

O delegado do MDM, na cidade de Nampula, Luciano Tarieque, citado esta terça-feira pela imprensa local não confirmou e nem desmentiu a detenção dos membros da terceira força política moçambicana.

Em declarações à Lusa, Zacarias Nacute, porta-voz da Polícia em Nampula, disse que uma equipa de investigadores da Procuradoria Provincial e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) está a trabalhar no terreno para esclarecer o crime.

A Polícia irá dar subsídios assim que tiver as informações (sobre o curso das investigações da morte de Amurane)” disse Zacarias Nacute, salientando que a Polícia e a Procuradoria “não têm domínio sobre as informações de detenções em Nampula”.

O Conselho Municipal de Nampula declinou qualquer comentário sobre as detenções em curso, envolto a morte do autarca.