Concluído o inquérito pela Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC), foi instaurado um processo disciplinar a uma professora alegadamente envolvida na fuga de informação do exame nacional de Português de 19 de junho, anunciou esta quinta-feira o Ministério da Educação. Vai apurar-se “a responsabilidade” da professora em causa neste assunto. Mas a sua identidade continua sem ser revelada.

No mesmo comunicado, o Ministério afirma que “não foi possível apurar que o conhecimento de informação se tenha traduzido em benefício mensurável”. Por isso, a IGEC vai esperar até ao fim do processo disciplinar à professora para “a aplicação de eventuais medidas”. Um segundo processo foi instaurado para “saber se os procedimentos existentes no Instituto de Avaliação Educativa estão a ser devidamente seguidos”.

Em junho, na época oficial dos exames nacionais no ensino secundário, foram postas a circular mensagens áudio publicadas no WhatsApp, que sugeriam que uma professora tinha contado a estudantes os conteúdos que iriam ser testados no exame de português de 19 de junho de 2017. Essa professora, dizia a mensagem, seria presidente de um sindicato de professores:

“Falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive”, dizia a mensagem. “Pediu para ela treinar também uma composição sobre a importância da memória e outra sobre a importância dos vizinhos no combate à solidão”, acrescenta a aluna no ficheiro áudio.

A denúncia partiu de um professor da Escola Secundária Luísa de Gusmão (Lisboa), Miguel Bagorro, que foi avisado da situação por um estudante a quem dava explicações: “Na altura não liguei, até porque todos os anos há boatos a circular sobre o que vai sair nos exames. Mas na segunda-feira, quando vi o que saiu na prova, fiquei estupefacto. O que foi dito na gravação foi exatamente o que saiu. Logo nesse dia, escrevi uma denúncia ao Ministério da Educação”, explicou ele ao Expresso.