Os ativos do ex-ditador líbio Muammar Kadhafi na Bélgica estarão a gerar dezenas de milhões de euros em lucros, apesar das sanções internacionais que congelaram todos os ativos no estrangeiro de Kadhafi, morto em 2011, até que fossem criadas condições para que o dinheiro fosse devolvido aos líbios. Esses lucros estarão a ser distribuídos por investidores desconhecidos, de acordo com uma investigação da revista Político.

Na sua edição online, o Político cita documentos da justiça, dos bancos, emails e fontes com conhecimento destas transações, que corroboram que os mais de 16 mil milhões de euros de ativos do ditador que estão atualmente congelados em território belga estão a distribuir dividendos de ações, de obrigações e pagamentos de juros a beneficiários desconhecidos, isto apesar de os fundos estarem congelados.

A revista avança com documentos que comprovam que estes fluxos têm saído de contas no Luxemburgo e no Bahrain, relativas ao fundo soberano líbio, o Lybian Investment Authority, que em 2011 tinha mais de 30 milhões de euros de obrigações dos bancos portugueses BCP e BES.

O governo belga alega que estes pagamentos são legais e seguem uma interpretação do regime de sanções feita por um grupo de peritos mandatado pelo Conselho da União Europeia.