O Papa Francisco encontrou-se esta semana com a primeira-ministra do Bangladesh, Sheikh Hasina, e agradeceu-lhe por acolher no seu país os refugiados da minoria muçulmana dos Rohingyas, perseguidos no país vizinho, Myanmar.

A governante foi recebida na segunda-feira em audiência privada no Palácio Apostólico do Vaticano e aproveitou o encontro para agradecer ao pontífice a visita que fez em novembro passado ao país. Os dois líderes sublinharam a importância do contributo da Igreja Católica para o país sobretudo “no campo da educação”.

De acordo com o portal de notícias do Vaticano, o Papa Francisco saudou o esforço que o Bangladesh tem vindo a desenvolver para garantir a coexistência pacífica entre todas as comunidades religiosas no país.

A palavra proibida de Francisco no país das minorias

Francisco sublinhou sobretudo o acolhimento dos refugiados Rohingya que fogem de Myanmar, pedindo “uma solução justa e duradoura para as suas provações”.

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Mais de um milhão de Rohingya vive em Rakhine, no Myanmar, onde têm vindo a sofrer uma crescente discriminação desde o surto de violência sectária que provocou, em 2012, pelo menos 160 mortos e deixou aproximadamente 120 mil membros daquela comunidade confinados em 67 campos de deslocados, onde vivem diversas privações, nomeadamente de movimentos.

Os Rohingyas são considerados pelas Nações Unidas uma das minorias mais perseguidas do planeta. O Papa Francisco tem sido uma voz ativa na defesa dos direitos dos Rohingya. Contudo, quando visitou Myanmar em novembro e se encontrou com a líder do país, Aung San Suu Kyi, nunca utilizou a palavra.

Papa pede “respeito pelos direitos humanos” em Myanmar sem dizer ‘Rohingya’

Num discurso ao lado da líder de Myanmar, o pontífice apelou à “justiça e respeito pelos direitos humanos” de “todos aqueles que chamam casa a esta terra”, sublinhando que “a paz só é possível com o respeito pelos direitos de todos”, sem nunca referir o termo Rohingya.

A decisão do Papa Francisco de não utilizar a palavra — que já tinha utilizado várias vezes antes, fora do país — causou polémica. O pontífice foi aconselhado pela própria Igreja Católica de Myanmar a não referir o termo para não dar origem a uma nova onda de violência.

Quando saiu de Myanmar e se dirigiu para o Bangladesh, Francisco encontrou-se com um grupo de refugiados Rohingya.